Audiovisualidades e Tecnocultura http://tecnoculturaaudiovisual.com.br Grupo de Pesquisa | UNISINOS Sat, 05 Aug 2017 02:58:46 +0000 en-US hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.6.7 68456114 Entre o belo e o grotesco: a estetização do horror na série Hannibal http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14500 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14500#respond Thu, 03 Aug 2017 17:48:02 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14500  

Quali_Van_21Na quarta-feira, dia 26 de julho, foi realizada a banca de qualificação de mestrado da integrante do Grupo TCAv, Vanessa Furtado. Com o título “A estetização do horror em Hannibal”, a pesquisa busca compreender a construção visual da série, em especial das cenas de crimes, que segundo a pesquisadora se sobressai em relação à narrativa da produção. A banca foi composta pela professora da ULBRA/RA, Dra. Gabriela Machado Ramos de Almeida, pelo professor da Unisinos, Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes e pelo orientador e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, Dr. João Damasceno Martins Ladeira.

O objeto de pesquisa de Vanessa é a série Hannibal, que conta a história do psiquiatra canibal, Hannibal Lecter. O Quali_Van_07protagonista é um serial killer que mata suas vítimas e se alimenta de partes de seus corpos. O que chamou a atenção da pesquisadora na produção foi a forma elegante com que as cenas de morte (exposição dos cadáveres) são apresentadas esteticamente, conflitando entre o belo e o grotesco. Sua pré-análise apostou, entre outros aspectos, na dissecação dessas cenas observando questões de luz, cor, enquadramento, composição, etc, o que pretende aprofundar na dissertação. A fundamentação teórica do trabalho se fixa na concepção de 4ª dimensão do cinema de Eisenstein e trabalha a partir de três eixos, a TV (Séries), o Horror (Afeto) e a Visualidade (Construção cinematográfica).

Para demonstrar visualmente seu objeto empírico, Vanessa mostrou imagens das cenas que pretende analisar. No quadro abaixo observamos as seguintes cenas: as meninas fincadas em chifres: uma à luz do sol, outra em uma cabana cheia de chifres; o Glasgow smile; a cena de crime que tem inspiração na figura “Homem Ferido”; o cadáver-árvore que teve seus órgãos trocados por flores; a agente do FBI que teve seu corpo fatiado em diversos pedaços e expostos em lâminas de vidro; o cadáver que teve um braço de violoncelo colocado na garganta a ser tocado com suas cordas vocais e os cadáveres que tiveram parte das costas recortadas e posicionadas como asas.

quadro Hannibal 2

De acordo com Vanessa, passar por uma avaliação, apesar de ser um momento tenso, é extremamente necessário para o crescimento de um pesquisador. “A fala da banca permitiu enxergar pontos falhos e potências da pesquisa, e ter um retorno positivo do trabalho em andamento dá ainda mais garra para seguir em frente”, completou. A pesquisa terá continuidade até março de 2018, quando enfrentará sua última etapa de avaliação, a defesa da dissertação, que concederá a Vanessa o título de mestre em comunicação.


Texto: Kélliana Braghini

Fotos: Fabrícia Bogoni

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Garotinho em processos meméticos http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14471 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14471#respond Fri, 28 Jul 2017 16:41:30 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14471 A integrante do TCAv Lidiane Mallmann realizou a sua banca de qualificação de mestrado na quarta-feira, dia 19 de julho. Junto com a orientadora, Sonia Montaño, os professores avaliadores Ana Paula da Rosa e Gustavo Fischer aprovaram o trabalho da mestranda, de título A criação de entreimagens nos processos meméticos. A pesquisa de Lidiane atenta em um fenômeno atual da internet – os memes. Sobre eles, a aluna lança uma perspectiva imagética.

Os memes que mais chamam a atenção de Lidiane são os que se originam a partir de acontecimentos. De modo geral, os acontecimentos ganham visibilidade nos meios de comunicação e, dependendo da situação, rapidamente, transformam-se em conteúdo de memes. Eventualmente, para criar os memes, os internautas se apropriam de imagens desses acontecimentos que foram veiculadas na mídia. A partir delas, fazem recortes, montagens e colagens e também inserem textos curtos. Por vezes, a intenção é provocar o riso. Quando prontos, eles são compartilhados nas redes sociais. Lidiane chama essa dinâmica que envolve o acontecimento, a criação dos memes e o compartilhamento nas redes sociais de processo memético.

Em seu trabalho de qualificação, Lidiane partiu de um acontecimento do ano de 2016 – a transferência do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho do hospital à cadeia. No dia 16 de novembro, Garotinho foi preso preventivamente pela Polícia Federal por causa das investigações da Operação Chequinho. Depois disso, ele passou mal e foi levado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, do Rio de Janeiro. Lá, os exames indicaram alterações cardíacas. No dia seguinte, 17, Garotinho foi transferido desse hospital para o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu) por determinação do juiz. A transferência foi tumultuada. Garotinho reagiu e precisou ser contido.

As imagens da reação do político renderam vários memes na internet. Para encontrá-los, Lidiane utilizou #Garotinho e #GarotinhoPreso no Facebook e no Instagram. Os 98 memes encontrados foram então divididos conforme a taxonomia de memes da pesquisadora Raquel Recuero. A mestranda conta que essa taxonomia foi produtiva para o seu trabalho. “Me ajudou a perceber o tipo de meme, o tipo de imagem que eu queria olhar. Foi aí que eu cheguei aos memes metamórficos.” Na leitura da aluna, “Memes metamórficos são imagens alteradas, reinterpretadas e apresentadas dentro de um contexto de debate”. Para pensar essas imagens, ela convoca conceitos e autores da linha de pesquisa Mídias e Processos Audiovisuais, como entreimagens, de Nelson Peixoto; imagem técnica, de Vilém Flusser; e softwarização da cultura e remix, de Lev Manovich. Para Lidiane, entreimagens, de modo especial, funciona como um modo de olhar. Nas palavras da mestranda, “As entreimagens são as relações entre as imagens e as suas novas versões”. No caso do acontecimento em questão, seriam as imagens da transferência de Garotinho e as atualizações ou as manipulações dessas imagens nos memes.

Em sua apresentação para a banca, Lidiane trouxe um meme em que as imagens de Garotinho e Pelé foram recortadas, montadas e coladas. Nele duram a comemoração do Rei do Futebol pela conquista do tetracampeonato da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1994 e a reação do político. Contudo, a comemoração de Pelé e a reação de Garotinho são descontextualizadas e a combinação dessas imagens produz outros sentidos. “Quem resignifica o Garotinho é o Pelé”, aponta a mestranda.

#Garotinho (Objeto)

(Imagem cedida por Lidiane Mallmann ao site do TCAv)

 

Com as observações e as contribuições dos avaliadores, a pesquisa de Lidiane seguirá até a sua conclusão em 2018. Dentre outras coisas, a partir de agora, ela pretende analisar outras imagens que também viraram memes.

- Banca Quali Lidi

Sonia, Lidiane, Ana Paula e Gustavo após a banca de qualificação


Texto e foto: Fabricia Bogoni.

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O audiovisual de Zbigniew Rybczynski como território experimental de conexões múltiplas http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14426 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14426#respond Sat, 22 Jul 2017 15:50:23 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14426 ZbigShi

Considerado por seus críticos um Méliès contemporâneo, o realizador audiovisual, diretor, roteirista, cenógrafo, animador e programador polonês Zbigniew Rybczynski (pronuncia-se rib-chin-ski), ou simplesmente Zbig, como é conhecido, nasceu em Łódź, em 1949. Formou-se em cinema pela Escola Superior Nacional Łódź de Cinema, Teatro e TV e em 1973 começou a produzir filmes de animação. Nessa época foi membro do grupo vanguardista “Warsztat Formy Filmowej” e cooperou com “Se-Ma-FOR studios” em Lódz, onde foram rodados seus primeiros filmes autorais, entre eles: Plamuz (1973), Zupa (1974), Nowa książka (1975) e Tango (1980).

Obcecado em fazer avançar as tecnologias da imagem e em brincar criando seus próprios programas numa prática que lembra os programadores de Vilém Flusser (2002), Rybczynski trabalhou e morou em Viena no final dos anos 70 e a partir dos anos 80, nos Estados Unidos. Em 1986 ele começou a usar alta definição, um sistema integrado por computador, e em 1987 abriu seu próprio estúdio, Zbig Vision Studio, em Hoboken, perto de Nova York. Além de pioneiro na utilização de imagens de alta definição, foi dos primeiros a trabalhar com múltiplas camadas na imagem e a usar e aperfeiçoar a técnica Chroma Key. Entre 1994 e 2001 Rybczynski permaneceu na Alemanha, trabalhando no “Centrum für Neue Bildgestaltung” (CBF) em Berlim, um centro de filme experimental internacional que ele foi co-fundador e em 2009  voltou a residir na Polônia.

Além de realizador, Zbig possui uma carreira acadêmica como professor na Lodz Film School, na Polônia e na Universidade de Columbia em Nova York como professor de cinema. Leciona também na Academia de Artes e Mídia em Colônia, Alemanha e é professor visitante na Universidade de Arte e Design de Joshibi, em Tóquio, Japão. Entre 2010-2013, Zbig trabalhou em Wroclaw, Polônia, onde construiu um grande estudo de experimentação audiovisual com instalações de última geração para a produção de imagens de filmes em tempo real e multi-camada e um instituto para pesquisa de imagens. Em meados de 2014, voltou para os EUA e instalou-se em uma fazenda perto de Tucson, no Arizona, onde ele e sua esposa, Dorota Zglobicka, construíram um novo estúdio cinematográfico de alta tecnologia.

Rybczynski é um realizador premiado por diversos filmes de sua obra.  Tango, feito ainda no período polonês, antes da imigração para os Estados Unidos e da fundação da produtora Zbig Vision, colecionou prêmios em todo o mundo, dentre os quais o OSCAR de melhor curta metragem de animação, em 1983. Já The Orchestra, de 1990, lhe valeu o EMMY de melhores efeitos especiais. Suas realizações em videoclipes, para artistas do porte de Mick Jagger, Lou Reed e Yoko Ono, dentre outros, também lhe renderam uma coleção de premiações ao longo dos anos 1980. Alias, ele se tornou rapidamente conhecido como um realizador de videoclipes, criando cerca de 30 deles em um período de três anos, incluindo o clipe de Imagine, de John Lennon, em 1987.

zbig2Algo que se destaca no trabalho deste realizador é um apagamento de fronteiras. Para ele, não deveríamos separar o artista do técnico, o engenheiro do realizador audiovisual. Como afirma nesta entrevista, ele convive com programadores dos maiores softwares da área e todos são também grandes especialistas em imagem e história da arte. Ele próprio, Rybczynski, afirma que tem passado 25% do seu tempo em atividade de programação. Para ele, a linguagem da programação é a nova linguagem universal, que deveríamos aprender desde cedo em paralelo aos nossos idiomas. “Criar o programa, esta para mim é a atividade. E não necessariamente usá-lo”, insiste.

A entrevista a seguir foi resultado de uma conversa informal realizada por skype em 2011 e, por problemas técnicos de gravação, só foi publicada em 2017, com algumas atualizações.

O que é o vídeo para você, qual foi o seu primeiro contanto com ele?
Vídeo é algo que faz conexões. Pensemos na televisão, por exemplo e como, no começo, a qualidade era precária. Tudo o que nós tínhamos era algum tipo de estudio caseiro de gravação com o qual nós poderíamos produzir sons e gravar os nossos programas. É claro que no começo a qualidade era muito baixa. Eu estava acostumado com alta qualidade de imagem, então lembro que o início no vídeo foi estressante. Aquilo não me fascinava por causa da qualidade, mas, com o tempo, especialmente quando eu vim para os Estados Unidos em 1984, comecei a trabalhar com vídeos para broadcasting, com ferramentas televisivas. Fiz meus testes, meus próprios efeitos especiais com vídeo. A qualidade era muito maior do que aquela do home video. Eu estava fascinado porque o meu interesse era fazer imagens com múltiplas camadas (multi-layered), e já vinha trabalhando com Chroma Key. Então pude conectar tudo isso em diversas camadas.
Uma imagem, um frame, tudo pode ser objeto de novas conexões. Quando fiz meus filmes em curta-metragem, para conectar diversas camadas de imagens, tive que desenhar máscaras de celuloide à mão, talvez uns 20 mil desenhos, como para Tango. Era um trabalho muito complicado. O vídeo utilizando Chroma Key me deu muito mais possibilidades. Eu podia fazer tudo isso em pós-produção. Então para mim esta foi a maior vantagem. Eu sabia que havia algumas vantagens que poderia criar por mim mesmo, como o time counter, um controle muito preciso de quando a imagem começa e de quando ela termina. Era muito claro nos anos 80 que nós estávamos vivendo um marco, um avanço em termos de tecnologia.
Em seguida conheci o primeiro equipamento de alta definição, provavelmente o primeiro que deve ter existido em Nova Iorque e nos Estados Unidos. Na verdade, eu fiz a primeira produção em alta definição nos Estados Unidos, fui um dos pioneiros no mundo. Desde então decidi que esta seria a minha ferramenta. O que era dito no nosso tempo é que as câmeras de alta definição não eram apenas ferramentas relacionadas às câmeras em si e sim à computação. Era a possibilidade de conexão com outros computadores. Unir todas as tecnologias através dos computadores.
Para mim foi possível realizar efeitos especiais extremamente complexos na pós-produção. É a melhor ferramenta para produzir ou gravar imagens, compondo imagens de fontes variadas. Esta é uma síntese de todas as outras tecnologias da imagem que nós aprendemos no passado. Agora vivemos num mundo que é levemente computadorizado, com imagens computadorizadas em HD ou com qualidade ainda melhor, mas acho que algum dia nós vamos avançar. Estou convencido de que estamos numa fase de construção do que chamo de “câmera intelectual”. Algum dia eu acho que essas imagens irão ultrapassar as imagens que são obtidas oticamente. Mas isso ainda vai levar algum tempo.
Novos tipos de métodos de transmissão e gravação significam uma espécie nova de imagem computacional. Além de que agora não existem muitos métodos confiáveis de produção e transmissão para assistir, existem apenas mais e mais computadores e geradores de imagens em movimento. Haverá uma explosão de novas tecnologias que vai resolver alguns problemas de geometria, de materialidade de imagens, novas telas, mais isso vai ser passo a passo, no sentido de uma realidade virtual que nós ainda não temos. Esta será uma pós-imagem. E isso abrirá possibilidades. Imagens que possam estabelecer outras combinações, outras formas de comunicação. São sonhos, sonhos em alta qualidade.

Seus filmes costumam marcar de diversas formas espaços e tempos tensos. Seriam esses os temas centrais de sua produção? Tem alguma teoria que inspira esses modos de brincar com o tempo e o espaço?
Essas questões me interessam bastante, mas não sou um acadêmico, sou um realizador. Penso que isso tudo está conectado com o meu trabalho, com os meus experimentos. Não importa como a chamamos, mas essas questões estão no nosso dia a dia.
Nós estudamos o movimento, nós nos movemos, saímos da cama, trabalhamos, viajamos, caminhamos… Percorreremos algumas distâncias durante o dia e permaneceremos parados em alguns momentos. Nós estamos observando a realidade interna em contato com uma realidade externa, é o nosso movimento no espaço. E temos ainda o elemento tempo: um problema fascinante porque… o que é o tempo? Não existe uma definição científica ou estatística. Não está claro o que seja o tempo e talvez ele sequer exista! Porque o tempo é muito curto para ser presente, e é por isso que eu estou terminando a sentença, mas eu estou começando.
O que eu quero dizer é futuro, mas quando eu termino já é passado. Então, onde está o presente? Não está claro. O presente é uma coisa muito, muito curta no tempo, que é impossível de descrever. Então, vivemos no futuro e no passado. Estamos sempre pensando em alguma coisa, fazendo viagens e dando voltas ao passado.
Quando estou produzindo imagens, filmes, eles são eventos que acontecem no tempo. Eles não são fotografias que congelam o tempo. É como na música, ela não existe em um só momento. Os filmes são muito conectados com a música nesse sentido. Então, para produzir visualidades nós temos que compor, adicionar o tempo. Porque é uma composição de tempo de minutos, de uma hora, e também é uma composição de espaço, do movimento no espaço.
O movimento e o espaço nos fascinam demais. Nós podemos ver as primeiras pinturas, elas são relações com o espaço. Alguns fazem pinturas que não conseguem estabelecer esta relação espacial no seu interior. Veja as imagens, por exemplo de Salvador Dali. A sua totalidade, seu horizonte longínquo, a composição desta imagem é muito mais fascinante, para mim que, por exemplo, as pinturas de Jackson Pollock, em que não há espaço.
Nós gostamos de imagens em movimento. As imagens são muito mais fascinantes quando possuem alguma viagem interessante. Há uma grande diferença naquelas imagens que podem ser produzidas com mais tempo, com mais cuidado na preparação das cenas. É muito mais difícil contar histórias de um modo não convencional. São sempre muitos tipos de movimento, muito mais interessantes para os espectadores do que apenas cortes e relações causais.
Enfim, eu acho os filmes fascinantes simplesmente por terem boas composições de tempo e boas composições de espaço, movimento, experimentação.

Seus filmes parecem conter certo humor e ironia até pelas próprias relações de estranhamento que as diversas sobreposições causam. É esse seu propósito?
Quando eu estou assistindo a um filme nunca tenho a sensação de que aquilo é uma imagem da realidade. Não, isso é uma tela! É uma invenção que não é uma cópia da realidade, é imagem. Assistir a uma tela é diferente de assistir meus vizinhos pela janela ou olhar ao redor do quarto, por exemplo. Para mim, a diferença é clara.
O que nós podemos hoje em dia transmitir com a tecnologia que temos não é muito para fazermos alarde. Comparado com o nosso contato pessoal com o mundo externo ela é sempre apenas uma forma de simplificação.
Quando estou assistindo um filme, de Charlie Chaplin, ou de George Lucas, pode ser Star Wars, eu sei que isso não é uma imitação da realidade, mas um tipo de fantasia, mas não apenas fantasia, é um símbolo, um espetáculo de alguma coisa que eu posso dizer, sim, é visual na tela, é tecnologia. Não é uma imitação da realidade. É muito interessante notar que as grandes conquistas do cinema não são de modo algum baseadas em filmes realistas. Tem o exemplo do Charlie Chaplin, tem o Walt Disney, o George Lucas. Esses filmes influenciaram milhões de pessoas ao redor do mundo, muito mais do que qualquer tipo de drama psicológico.

Eu diria que isso faz parte do processo de acrescentar novos elementos à nossa civilização. Veja as pirâmides do Egito, ou essa abstração que são as pirâmides dos Astecas e dos Mais, os arranha-céus em Nova Iorque, ou a Torre Eiffel, ou ainda a cerimônia do Green Tea no Japão, ou outros tipos de cerimônias religiosas. Bem, no começo elas são abstrações, mas com o tempo elas se tornaram parte da nossa realidade, criações humanas que dão novos significados à nossa civilização. Elas são um acréscimo à nossa natureza, que é muito pobre e muito triste, e muito vazia.
Mas quando nós estamos imitando alguma coisa que já existe, que não é nossa, será apenas uma repetição daquilo que nós já sabemos ou já fizemos. Voltando aos meus filmes e ao humor, então, a realidade não é tão humorística. Nós somos engraçados apenas quando estamos contando piadas, e as pessoas estão rindo, mas, dentro de um avião, ou caminhando pelas ruas, vemos pessoas se comportando como se as outras não fossem pessoas comuns: é o que aparece em Tango. Nós vemos esse tipo de cena: o outro bêbado, ou drogado, ou possui algum tipo de doença, como se estivesse suspenso em seu espaço.tango zbig
Quando um cineasta faz um filme, ele está afirmando algo muito forte. É um poder muito forte.

Dentro de sua experimentação está a criação de softwares para seus próprios filmes?
O software é tudo. Eu tenho discutido isso. Acho que a habilidade de escrever softwares e a linguagem de computador em geral não têm atualmente recebido a sua dimensão adequada. Tudo o que nós vemos na tela do computador foi escrito por alguém. Há um programador que escreveu cada elemento, a mão, tudo o que está na tela. E todas as funções do computador: nós estamos usando Skype, ou e-mail, ou um navegador, tudo foi escrito por programadores.
Mas nós não entendemos que esta linguagem original, esta nova linguagem, é como as nossas línguas clássicas, inglês, português, francês, e daí por diante. Esta é a linguagem do final do século XX e início do século XXI e é a linguagem do futuro. E esta linguagem é muito mais simples se a compararmos à gramática e à ortografia… É muito mais simples do que as línguas clássicas, mas é atualmente associada a especialistas. Acredito que deveríamos ensinar as crianças em nível primário a programar, não apenas a usar os computadores, mas programar os programas, as imagens, a programar tudo o que o computador está fazendo.
Para mim há um grande perigo se isso não mudar. Eu não vejo nenhuma diferença entre escrever, por exemplo, as aventuras do Conde de Monte Cristo, e escrever um código de computador. Eu não consigo imaginar um assunto que não possa gerar um programa. Sobre o riso, sobre dança, sobre balé… Você pode programar sobre tudo! Mas nós não desenvolvemos esses programas porque as pessoas não têm o hábito de acordarem de manhã, beberam o seu café, e sentarem para escrever os seus próprios códigos.
Por volta de 1990, eu percebi que tinha uma revolução acontecendo. Os computadores pessoais são uma ferramenta do futuro, e, temos que conhecê-los saber como usá-los e como programá-los. Se estivesse iniciando minha carreira agora, só faria programas, seria apenas programador. E eu resolveria muitos problemas nas minhas ferramentas audiovisuais, dispositivos e gráficos de computador.
Então, para mim esta é uma ferramenta necessária. Eu diria com segurança que nos últimos 10 anos, talvez muito mais, mas vamos deixar em 10 anos, eu gastei 25% do meu tempo programando.

Acha que a apropriação do software e da programação é importante inclusive para o universo da pesquisa acadêmica em comunicação?
Imagine estar usando programas que pertencem a um grupo de pessoas. Eu conheço esses programadores, trabalhando e desenvolvendo Photoshop e este tipo de software. Não conheço todos, mas muitos grupos. Essas pessoas têm conhecimento sobre história da arte, história da visualidade, sobre a imagem, sobre a prática, por exemplo, realização cinematográfica ou pintura, ou outras coisas. Eles são artistas com algum conhecimento sobre a história dos 2000 anos da humanidade. Mas eu conheço também pessoas de várias outras disciplinas, balé, artes populares, pessoas que poderiam programar, mas elas não têm o mínimo conhecimento sobre o assunto, sobre o que se trata programação. Nós estamos falando sobre esta tecnologia e as pessoas querem dizer: “nós temos que aprender alguns ótimos programas e nós temos que saber como eles funcionam. Mas, vamos descobrir também como fulano e beltrano pensaram aquilo que eles realizaram”. E aqui nós temos todos os campos conectados. O que eu disse é que esta área é fascinante, há um campo enorme para criação, para o desenvolvimento. Usar um grande software, digamos, YouTube, MySpace, ou qualquer outro desses programas muito populares é uma forma de atividade do nosso tempo, com enormes possibilidades. Mas programar isso, criar o programa, esta para mim é a atividade!zbig4

Para terminar, o que você entende por experimentação? Experimentar audiovisualmente é seu objetivo?
Quando as pessoas estão tentando, por exemplo, construir um carro, ou uma bicicleta, ou um avião, ou qualquer aparelho, elas têm que experimentar. Nós temos algumas ideias, alguns sonhos, mas nós temos que experimentá-los… Nunca aconteceu de acordarmos de noite com uma ideia fantástica que vem junto com a solução desta ideia. Nós temos que fazer experimentos. Você vê, quando as pessoas estão trabalhando na área da medicina, por décadas elas procuram por algum medicamento, para o câncer, por exemplo, e nós não podemos dizer que segunda-feira ele estará pronto. Uma pílula mágica, pronta na segunda-feira! As pessoas estão talvez em mais de mil universidades em clínicas e laboratórios, fazendo milhares e milhares de experimentos.
E eu penso o mesmo do trabalho artístico. Se nós estamos 100% certos do que fazer, isso será 99,9999% certo que faremos o que nós já temos, já ouvimos, já sabemos. Para avançar um pouco nós temos que tentar, com o nosso conhecimento. Sendo o conhecimento uma experiência, nós sabemos que, se eu faço desse jeito, usando esse elemento, poderá resultar numa boa experimentação, porque eu sei que desta combinação tem que sair uma coisa interessante. Mas nós temos que esperar.
Eu digo isso, mas geralmente o que nós sabemos na história dos últimos 200 anos é que houve dois casos em que as pessoas fizeram algo sem experimentação, algo genial. Foram Isaac Newton e Albert Einstein, que do nada pegaram um papel e escreveram coisas impressionantes, que ninguém havia falado sobre e das quais não há rastros das reflexões preliminares, do que eles inventaram, do que eles descobriram.
A maioria dos artistas, os grandes músicos, grandes escritores, os grandes pintores, tiveram que enfrentar algum tipo de dificuldade. E isso é 90% do tão chamado sucesso real ou descoberta de alguma coisa. Isso sempre possui um fator de experiência e é comum que essa experiência contenha alguma dose de coincidência. Esta pode ser abrupta, a coincidência, mas ela tem que estar conectada à habilidade de ver que talvez a sua coincidência ou o seu experimento é uma coisa muito valiosa e que poderá ser desenvolvida nos próximos experimentos. Então, para mim a definição não está muito clara sobre o que é, por exemplo, um filme experimental. É um jeito de realizar filmes, filmes interessantes.
Tentativa e erro… mas é preciso haver a tentativa para fazer a tentativa e erro, e não apenas juntar qualquer coisa e ver o que acontece. É preciso ter uma direção, baseada no conhecimento ou na necessidade de alterar os experimentos. Há casos em que as pessoas fizeram experimentações muito interessantes e depois pararam no início. Tem casos de pessoas que pararam e depois continuaram, quando tiveram a oportunidade novamente. Para mim, é o caso de Luis Buñuel. O que ele começou em Um Cão Andaluz, o continuou 40 anos depois em Viridiana. A experimentação é o caminho, o método de todo tipo de criação, não apenas em arte, mas em todas as áreas.

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Confira aqui a filmografia completa de Zbigniew Rybczynski

Entrevista: Bruno Leites e Sonia Montaño

Tradução: Bruno Leites e Jade Arbo

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A efemeridade das imagens no Snapchat e Instagram http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14316 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14316#respond Sat, 22 Jul 2017 04:10:25 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14316 Lorena Risse, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS, qualificou a tese “A Efemeridade na Tecnocultura: escavações da tendência Stories em aplicativos de imagens feitas para sumir” na quarta-feira, 28 de junho. Realizada no campus São Leopoldo, a banca contou com a presença dos professores Dr. José Luiz Braga e Dra. Suzana Kilpp, ambos da Unisinos, e o orientador, Dr. Gustavo Daudt Fischer.

Banca de qualificação de tese

Vinculada ao Grupo de Pesquisa Audiovisualidades e Tecnocultura: comunicação, memória e design, a tese vislumbra um fenômeno comunicacional (tendência stories) baseado nas dinâmicas das novas mídias digitais, tendo em vista a inter-relação entre cultura e tecnologia.

Imagem da interface do aplicativo Instagram

Imagem da interface do aplicativo Instagram

 

Imagem da interface do aplicativo Snapchat

Imagem da interface do aplicativo Snapchat

 

Para observar o universo empírico amplamente heterogêneo, Lorena Risse propõe uma metodologia (an)arqueológica, cujos procedimentos de análise seguem um mapeamento de imagens e aplicativos, como o Instagram e o Snapchat, por meio de um “ir e vir” histórico não-linear. As perspectivas teórica e metodológica adotadas na pesquisa são amplamente discutidas nas atividades da linha de pesquisa “Mídias e Processos Audiovisuais”, bem como nos espaços do TCAv.


Texto: Julieth Paula.

Imagens disponibilizadas por Lorena Risse.

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Facebook, feed e o eterno retorno das imagens http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14416 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14416#respond Fri, 21 Jul 2017 19:40:14 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14416 Pensar sobre como as imagens do Facebook ofertam uma experiência estética de movimento é o objetivo do projeto de tese do doutorando William Mayer, integrante do TCAv, que realizou sua qualificação no programa em Ciências da Comunicação da Unisinos, no dia 12 deste mês.

Sob orientação da professora Suzana Kilpp, a pesquisa busca entender como experiência no fluxo de dados é construída a partir de uma ilusão de movimento própria das audiovisualidades, conceito trabalhado pelo grupo de pesquisa ao qual faz parte e que está presente em muitas das pesquisas realizadas na linha. Na ação entre máquina e usuário, investiga-se como é produzida, através dos algoritmos, uma estética própria das redes sociais, capaz de gerar o que o pesquisador chama de Imagem do Facebook.

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O autor constrói a seguinte analogia: o cinema construiu através do movimento uma experiência perceptiva capaz de simular pela imagem o que antes parecia possível apenas pela percepção natural, desse modo, o Facebook estaria produzindo algo na mesma linha de construtos de movimento. Neste link você encontra um vídeo que mostra a iniciativa do facebook em produzi e publicizar vídeos em 360º, onde o espectador pode passear pelos quatro cantos da imagem, indo e voltando, tendo uma experiência de ambiência mais complexa do que as com menos dimensões.

Agora, o doutorando segue para a escrita final da tese, até 2019.

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Sofia Coppola e seus encontros e desencontros tecnoculturais http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14401 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14401#respond Mon, 17 Jul 2017 23:43:23 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14401  

fernando 3O mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e integrante do Grupo TCAv, Fernando Beretta Del Corona, realizou sua banca de qualificação na terça-feira, dia 11 de junho. Seu trabalho intitulado “Atualizações da imagem-tempo em Encontros e desencontros, de Sofia Coppola”, foi orientado pelo professor Dr. João Damasceno Martins Ladeira. Na ocasião o professor da PUC/RS, Dr. Carlos Gerbase e a professora da Unisinos, Dra. Cybeli Almeida Moraes, avaliaram o relatório e trouxeram contribuições para a continuidade da pesquisa de dissertação.

A pesquisa tem como objeto empírico de observação o filme Encontros e desencontros, de Sofia Coppola, onde procura entender como a obra dá a ver técnica e esteticamente, aspectos do que Deleuze denominou imagem-tempo. A imagem-tempo seria, para Deleuze, uma verdadeira representação imagética do tempo, percebida principalmente no cinema moderno. O mestrando, sintetiza a partir de Deleuze, que a imagem-tempo representaria “um mal-estar da sociedade, a falta de agência do homem sobre o mundo, essa nova percepção do lugar do homem na história após a guerra – uma mudança na visão de mundo e na maneira de se entender as imagens cinematográficas”.

Encontros e desencontros

Frame do filme “Encontros e desencontros”, de Sofia Coppola.

A obra de Sofia Coppola, para o pesquisador, evidencia a imagem-tempo, pois apresenta constantementefernando 2 “questões do mal-estar, do excesso e do despertencimento em uma sociedade contemporânea” e a pesquisa tem como objetivo compreender como isso se dá, inicialmente, no filme Encontros e desencontros, podendo expandir o corpus no desenvolvimento da dissertação. Para observar as imagens, Corona articula metodologicamente a Intuição Bergsoniana (DELEUZE, 2008), a Cartografia (DELEUZE; GUATARRI, 1993), as Constelações (BENJAMIN, 2006) e as Molduras (KILPP, 2010).

A pesquisa terá continuidade até março de 2018, quando enfrentará sua última etapa de avaliação, a defesa da dissertação, que concederá a Fernando o título de mestre em comunicação.


Texto e fotos: Kélliana Braghini.

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Netflix: um olhar sobre a TV na Internet http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14393 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14393#respond Wed, 12 Jul 2017 23:40:40 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14393 A estudante Kélliana Braghini, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS, qualificou a sua pesquisa de mestrado intitulada “Televisualidades da Netflix: a construção de uma TV on demand” na tarde da quarta-feira, 05 de julho. Orientada pela professora Dra. Sonia Montaño, a aluna apresentou os principais conceitos e aspectos metodológicos do trabalho para os avaliadores Dr. Fabrício da Silveira e Dra. Suzana Kilpp. Ambos os convidados são docentes e pesquisadores da UNISINOS.

 

Kélliana Braghini e os professores Fabrício da Silveira, Suzana Kilpp e Sonia Montaño na Banca

 

De modo geral, o objetivo da pesquisa é compreender as construções televisivas na plataforma Netflix a partir de uma postura crítica sobre as dinâmicas técnica e cultural dos modos de consumir o audiovisual contemporâneo. Para isso, Kélliana Braghini propõe uma metodologia que observa a interface da Netflix tanto em seus aspectos gráficos quanto os agenciamentos entre usuário e gênero  (as categorias de conteúdo) que dão sentido ao que a estudante vislumbra de televisualidades.

Além do conceito de televisualidades em construção, a aluna também articula as noções de materialidades das interfaces e dos dispositivos, audiovisualidades, tempo, imagem e montagem. Tais termos são caros para o estudo, uma vez que eles compõem a frente teórica da dissertação. Em sua arguição, a mestranda já apresentou algumas imagens da interface da Netflix problematizando os possíveis materiais empíricos a serem tensionados.

 

Imagem da interface da Netflix

Interface gráfica da Netflix

Interface da Netflix

Screenshots da interface da Netflix

 

Após essa primeira etapa de avaliação da pesquisa, a ideia é continuar a cartografia dos territórios de enunciação da Netflix. Isto é, mapear e sistematizar os modos pelos quais a plataforma se manifesta enquanto TV na Internet.

A expectativa é consolidar a noção de televisualidades, bem como fortalecer o diálogo com as perspectivas do Grupo de Pesquisa Audiovisualidades e Tecnocultura: Comunicação, Memória e Design (TCAv).


Texto: Julieth Paula

Imagens concedidas por Kélliana Braghini

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Emoção criada pela publicidade é tema de pesquisa na Unisinos http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14374 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14374#respond Mon, 10 Jul 2017 21:44:24 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14374 No dia 6 de julho, foi realizada a banca de qualificação da doutoranda Luciana Galhardi, integrante do Grupo de Pesquisa Audiovisualidades e Tecnocultura: Comunicação, Memória e Design. Com o título Imagem-emoção: a retórica para comover em audiovisuais publicitários que circulam na web, a pesquisa orientada pelo professor Dr. Gustavo Daudt Fischer, foi avaliada e aprovada pela banca composta pelos professores Dr. Sérgio Trein (UNISINOS) e Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes (UNISINOS).

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Por ter uma bagagem como publicitária, a pesquisadora tenta aliar suas impressões sobre o mercado com os questionamentos acadêmicos, propondo um estudo que diagnostique como se desenvolve a produção publicitária audiovisual que tem como foco provocar emoções nos espectadores, em outras palavras, comover. Diante disso, a questão central da investigação é: como a retórica (para comover) se constrói em vídeos publicitários que circulam na web?

Para compor uma problematização que busca pelos argumentos para comover, a autora dividiu suas atenções para duas facetas que compõem o objeto de pesquisa, olhou para o conteúdo do audiovisual, observando discurso, imagem e linguagens; e para as dispersões na web, analisando repercussões dos usuários e os locais onde há o compartilhamento destes vídeos.

Agora, a pesquisadora segue para mais uma etapa do curso, a defesa, programada para 2019.

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Titanic, Avatar e os mundos enquadrantes e enquadrados do cinema http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14344 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14344#respond Mon, 10 Jul 2017 02:59:33 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14344 Na quinta-feira, 29 de junho, realizou-se a banca de qualificação de mestrado do integrante do TCAv Rumenig Eduardo Pereira Pires. O trabalho de título Construtos técnicos, estéticos e narrativos de zona de limiar com barreira no cinema foi aprovado por uma banca de três professores, os avaliadores Gustavo Fischer e Tiago Lopes e a orientadora do aluno, Suzana Kilpp.

- Banca Quali Rumenig Pires 02

Os professores Tiago Lopes, Gustavo Fischer e Suzana Kilpp na banca

 

Na apresentação de seu trabalho, Rumenig relatou uma experiência de sua infância. O primeiro filme a que ele assistiu foi Batman Eternamente (1995), uma sugestão de seu pai. Um slide mostrava uma foto dele ainda menino caracterizado como o personagem. Mesmo que pudesse se vestir como o super-herói e se imaginar combatendo o mal em Gotham City, não conseguia viver no mundo do filme. O cinema o impedia de fazer isso. “Eu queria ser o Batman, mas tinha uma barreira”, contou. A história podia envolvê-lo e transportá-lo para Gotham; mas, quando ela acabava, ele se via em frente a uma tela. “Eu tinha uma experiência de limiar, mas eu tinha que voltar”. E essa volta causava frustração ao menino. O mundo do filme parecia mais interessante que o mundo em que ele vivia. Essa experiência é o ponto de partida para entender o seu interesse de pesquisa no Mestrado.

I) Batman Eternamente Cartaz + Cena

Cartaz e cena do filme Batman Eternamente (1995)

 

Rumenig se sente fortemente afetado por um tipo de filme que contém em sua história dois mundos contrastantes, um trivial e outro fantástico, segundo os termos utilizados pelo aluno. No mundo trivial, acontecem coisas cotidianas. E, no mundo fantástico, romances e aventuras. Entre esses dois mundos, há o que Rumenig chama de zona de limiar. Para ele, essa zona possui certa permeabilidade e também uma barreira. A permeabilidade permite que um personagem, a partir do mundo trivial, adentre, em alguma medida, o mundo fantástico. Mas a barreira, por sua vez, impede que ele adentre totalmente o mundo fantástico e permaneça ali. A barreira, então, faz com que esse personagem volte ao mundo trivial. Na percepção de Rumenig, isso deixa o personagem frustrado. Agora, é possível entender a relação da experiência do pequeno Batman com o interesse de pesquisa do mestrando. A frustração do personagem que não consegue passar para o mundo fantástico é semelhante a do espectador que não consegue viver no mundo ficcional do filme.

Na perspectiva de Rumenig, mundo trivial e mundo fantástico correspondem a mundo enquadrante e a mundo enquadrado, respectivamente. Isso porque o personagem do filme conta desde o mundo trivial o que acontece no mundo fantástico.

Em um filme, o contraste e o enquadramento desses dois mundos assim como a passagem de um ao outro ocorre por meio do que Rumenig chama de construtos de experiência de zona de limiar com barreira. Esses construtos são de ordem técnica, estética e narrativa. E constituem, portanto, o seu objeto de pesquisa. A sua questão-problema é Como os construtos de experiência de zona de limiar com barreira se atualizam no corpus?. O corpus, por enquanto, é composto de quatro filmes, Titanic (1997), Avatar (2009), O Grande Gatsby (2013) e La La Land (2016).

Análise do limiar em Titanic

Em Titanic (1997), a personagem Rose vê em uma reportagem de TV o desenho de uma jovem mulher nua usando um colar de diamantes. Esse desenho foi encontrado por caçadores de tesouro no fundo do mar junto aos destroços do RMS Titanic, navio que afundou em 1912. Rose reconhece o desenho, pois é ela a mulher retratada. Então, a idosa procura os caçadores e passa a contar a sua história. Rumenig percebe nesse filme um limiar temporal. Rose pode recordar o que viveu à bordo do Titanic, mas não pode voltar mais naquele tempo.

Na qualificação, especificamente a partir desse filme, Rumenig analisou cenas de limiar, isto é, cenas em que ocorre a transição do presente ao passado, do mundo trivial em que a Rose idosa agora vive ao mundo fantástico em que a Rose jovem se apaixonou à bordo de um navio. O mestrando ensaiou alguns procedimentos de análise como paleta de cores e gráfico espectral. A paleta destaca as cores das cenas do presente e do passado. As do presente são mais frias e em tons de azul e verde, e as do passado, mais quentes e em tons de laranja. E o gráfico evidencia os sons utilizados na transição do mundo trivial para o fantástico, como fala, ruídos e trilha.

A) Cena do Beijo em Titanic [Imagem cedida por Rumenig]

Cenas de limiar em Titanic (1997) (Imagem cedida por Rumenig Pires ao site do TCAv)

 

Reflexão sobre o limiar na banca

A grande reflexão feita durante a banca de qualificação foi como nomear, definir e delimitar melhor isso que Rumenig percebe nos filmes – a zona de limiar com barreira. Nesse sentido, o mestrando recebeu de Gustavo e Tiago algumas sugestões e indicações de como prosseguir com a sua pesquisa.

- Banca Quali Rumenig Pires 03

Tiago, Rumenig, Gustavo e Suzana após a banca de qualificação

 


Texto e fotos: Fabricia Bogoni.

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O “sem rosto” como rosto da TV http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14331 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14331#respond Tue, 04 Jul 2017 14:37:57 +0000 http://tecnoculturaaudiovisual.com.br/?p=14331 Na última quarta-feira, 28 de junho, a mestranda Fabricia Bogoni realizou o seu exame de qualificação. Nesse dia, apresentou o seu trabalho “Audiovisualidades do sem rosto na TV” diante de uma banca de três professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS – Prof. Dr. João Martins Ladeira, Profa. Dra. Jiani Adriana Bonin e Profa. Dra. Sonia Montaño, orientadora da aluna. Após a apresentação, as avaliações e a defesa, ela foi aprovada, e a sua pesquisa, qualificada.

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O trabalho de Fabricia busca compreender o que é e como se manifesta o sem rosto na TV aberta brasileira, especificamente, nos canais de Rede Globo, Rede Record, SBT e Band. A mestranda considera como sem rosto as pessoas que tem algo a dizer, mas que, por algum motivo, não podem ou não querem aparecer na TV. A TV, por sua vez, utiliza recursos técnicos e estéticos – como a opacidade, o contraluz, a distorção de voz, dentre outros – para, ao mesmo tempo, mostrar e ocultar essas pessoas. Dessa forma, ganham visibilidade os construtos televisivos de sem rosto.

A cartografia “Sem Rosto na TV” – feita pela aluna para a sua qualificação – evidencia uma heterogeneidade de sem rosto. Em outras palavras, essa cartografia destaca as diferentes manifestações de sem rosto nas emissoras. Para citar dois exemplos, a vítima de pegadinha no quadro Câmeras Escondidas do Programa Silvio Santos do SBT e a vítima de assalto em uma matéria do Jornal da Band da Band. A primeira aparece com o rosto em opacidade; e a segunda, em contraluz, com a voz distorcida e com a fala transcrita na tela. Uma está no contexto do entretenimento; e a outra, no do jornalismo.

- Imagem Qualificação Fabricia Bogoni [Matéria de Cobertura TCAv] [02] (1)

Exemplos de sem rosto no SBT e na Band (Imagem elaborada pela autora para o site do TCAv)

Na parte metodológica de seu trabalho, Fabricia articula a Intuição, de Henri Bergson; a Flaneuria e a Cartografia, de Walter Benjamin; e a Metodologia das Molduras, de Suzana Kilpp. Nessa articulação, os movimentos e procedimentos metodológicos se reforçam e se complementam. Até o momento, as suas referências são de Gilles Deleuze; Sonia Estela Montaño La Cruz; Massimo Canevacci e Suzana Kilpp. Na parte teórica, a mestranda aborda alguns conceitos que ajudam a pensar o sem rosto na TV. Ela os divide em dois eixos, TV e Rosto. TV reúne os conceitos de Montagem, de Sergei Eisenstein; Imagem Técnica, de Vilém Flusser; e Ethicidade Televisiva, de Suzana Kilpp. E Rosto abrange três perspectivas – a técnica de enquadrar o rosto, as definições de rosto e a constituição do rosto. Nessas perspectivas, dentre outros conceitos, a aluna traz imagem-afecção, de Gilles Deleuze; rostidade, de Gilles Deleuze e Félix Guattari; e visus, de Massimo Canevacci.

Percepção da mestranda

A banca trouxe contribuições ao trabalho; e, a partir da avaliação dos professores e da qualificação alcançada, Fabricia comenta o processo. “O exame de qualificação é uma oportunidade de amadurecer a pesquisa, de ouvir os professores-avaliadores que compõem a banca, de receber as contribuições deles e de precisar melhor o trabalho em desenvolvimento para alcançar os objetivos e responder as questões-problema.”

O processo é importante para socializar a pesquisa, de certo modo, e trazer olhares que a complementem e auxiliem. Nesse sentido, a mestranda compartilha a sua percepção após a fala dos avaliadores. “A Jiani e o João indicaram possibilidades de como posso prosseguir com a minha pesquisa. Eles perceberam bem os desafios que eu tenho pela frente e me instigaram a enfrentá-los. Então, a experiência de qualificar foi muito positiva. Agora, preciso pensar sobre tudo o que ouvi e dar continuidade ao meu trabalho com a minha orientadora, Sonia.”

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Texto e fotos: Vanessa Furtado.

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