A profusão de ideias e imagens de Ivana Bentes

ivana 1O último dia da XI Semana da Imagem contou com a presença e a palestra de Ivana Bentes, professora adjunta do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e Diretora da Escola de Comunicação da mesma universidade. Com a palestra intitulada “A vida das imagens”, a professora tensionou a perspectiva tratada no evento de como pensamos o modo de que as imagens nos olham. Durante mais duas horas Ivana falou sobre a inserção das imagens em nossa cultura e o que tudo isso representa.

“Penso mídia arte a partir do momento de proliferação das imagens. Há toda uma cultura de apropriação e compartilhamento das imagens e a internet aparece como banco de dados mundial, um ambiente cognitivo”, explica. Um reflexão interessante que a professora trouxe discussão foi o fato de que hoje não só nos relacionamos com as imagens por meio do olhar, uma vez que as imagens em superfícies sensíveis ao toque “respondem” a estímulos do tato. “Me parece significativo a interação do corpo com esse fenômeno”, avalia.

A fluidez das imagens

Fazendo um pequeno resgate histórico, Ivana lembrou que a forma de pensar e trabalhar a história da arte até hoje se limitou discussão dos movimentos e dos autores. Entretanto, para ela, atualmente, mais importante que pensar autores e movimentos, é pensar nos processos que cada geração inventou. “O que migra de um autor para o outro são os processos. Essa é uma nova forma de pensarmos a historiografia. Estamos em um campo estético dentro do capitalismo e trata-se de um campo que se expandiu. Daí a importância dos processos para pensarmos nos dispositivos e em todas subjetividades embarcadas nesses dispositivos”, sustenta.

Para a professora há toda uma contaminação das experiências do campo estético, que durante algum tempo foram pensadas em campos específicos Tais experiências novas permite que as imagens “nasçam” em um determinado dispositivo e migrem para outros. De acordo com Ivana, tal característica gera um problema para os críticos de arte. “Isso é um problema, pois como você valorar essas imagens? Quem consome não sabe quem fez as imagens, mas isso é pouco importante. O estado subjetivo dessa imagem me produz alguma afecção e eu compartilho a imagem, não importando de quem é. Isso é muito bom pra comunicação porque tu vai tratar da imagem em sua potência”, destaca.

 

Construção do conhecimento

Dentro de todo esse contexto, a pesquisadora destacou que vivemos um momento de expansão do campo das imagens. Um aspecto retirado no discurso dela, foi o de que somos atravessados por processos de comunicação de forma global que estão relacionados ao capitalismo cultural, capitalismo da informação e capitalismo do entretenimento. “Um campo bastante interessante é o da cartografia. É interessante a ideia do mapa de relações da mídia. Você começa a cruzar dados e começa a visualizar conhecimentos”, frisa.

“Para pensarmos as imagens na construção do conhecimento, temos que pensá-las como um campo da imagem estendida. São tecnologias de controle que, necessariamente, são tecnologias de afeto. O celular é nossa negociação de afeto e controle”, considera. Para explicar sua proposição, a palestrante ressaltou que podemos ser rastreados 24 hora por dia e que é tênue a linha entre o controle e o cuidado.

 

Consumo

Uma experiência marcante para Ivana é questão do consumo em “tempo real”. Segundo ela, movimentos como o espanhol 15M promovem compatibilidade com o mundo inteiro porque é transmitido em tempo real. “Isso não é um consumo posterior. As coisas acontecem no contínuo. Há mudanças em um nível mais amplo. Essa experiência da instantaneidade e simultaneidade é um presente expandido onde vários acontecimentos se dão simultaneamente. Refiro-me a uma experiência radicalizada e que tem a vem com os dispositivos do campo da imagem”, esclarece.

 

Durante os mais de 120 minutos em que Ivana palestrou e respondeu perguntas dos espectadores, houve espaço até para falar de Henri Bergson, um dos autores caro s pesquisas sobre as audiovisualidades. “O Bergson diz que nós somos imagens entre imagens. É uma experiência de estarmos dentro da imagem e de experimentar uma obra como ambiente”, disse.

 

XI Semana da Imagem

A XI Semana da Imagem foi um evento que contou com cinco grupos de trabalho que durante quatro tardes discutiu pesquisas relacionadas aos estudos sobre imagens e durante quatro noites contou com palestras de importantes nomes de estudiosos da comunicação no Brasil. O vento foi promovido pela Tcav, Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos e Unisinos, com o apoio da Capes.

Você pode gostar...