Construtos de ‘Terror’ ao entorno dos Medos no Cinema Brasileiro Contemporâneo

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Na retrospectiva de produção do grupo TCAV em 2019, trazemos hoje a pesquisa “O Terror no Cinema Brasileiro Contemporâneo: Uma Abordagem Monadológica de ‘Trabalhar Cansa’ e ‘Mangue Negro’”, dissertação de Rafael Garcez Lima com orientação da Profa. Dra. Sonia Montaño. Garcez investigou as atualizações do terror no cinema, concentrando-se no entorno dos construtos contemporâneos do medo à época de cada um dos filmes observados, Trabalhar Cansa (de Juliana Rojas e Marco Dutra, 2011) e Mangue Negro (de Rodrigo Aragão, 2008).

Garcez apresenta seu interesse pelo terror como gênero, que progressivamente revela outras angulações de investigação, para além da tradicional categorização cinematográfica mercadológica. A partir do interesse em filmes de terror brasileiros contemporâneos, ele orienta sua pesquisa de mestrado para filmes que acontecem no entorno do medo, na direção da construção de sentido do terror – encarando terror como uma imagem técnica (FLUSSER, 1985).

O arranjo metodológico parte desta percepção de Rafael Garcez que há a necessidade de reajustar seu olhar de pesquisa sobre “terror”, trabalhando então a partir do método intuitivo do Filósofo Henri Bergson. Com o método, ele pôde identificar o terror como um virtual (no sentido de duração e devir) que se atualiza em materialidades diversas e investigar os sentidos produzidos no escopo daquilo que dura como ‘terror’. Para construir o conceito basilar para sua abordagem monadológica, Garcez busca em Benjamin (2006), Tiedemann (2006) e Baudelaire (1993) as noções de mônada e montagem monadológica, sintetizando a ideia de que um fragmento de uma obra contém toda a obra e todas as obras (se o pesquisador consegue ser contemporâneo, nos termos de Agamben).

A escolha dos objetos empíricos parte de um contraste produtivo para verificar distintas formas de construção de sentido sobre o terror no cinema brasileiro – enquanto Mangue Negro (2008) é descrito como um filme trash repleto de imagens violentas, Trabalhar Cansa (2011) não revela imagens violentas explícitas, colocando esse aspecto (o da violência) em um outro tipo de imagem ou sentido construído.

Garcez constrói então uma cartografia a partir da flânerie pelos filmes escolhidos, ensaiando um olhar sobre os filmes em forma de mônoda (BENAJMIN, 2006) e, então, tornando contemporâneos (AGAMBEN, 2009) diversos outros filmes, que auxiliam uns na compreensão dos outros, a partir da perspectiva de Kilpp (2006), em que há uma relação direta entre o repertório do pesquisador e aquilo que ele vê no objeto pesquisado – a percepção do audiovisual se vai se expandir conforme a ocorrer expansão do repertório do pesquisador.

Por fim, o pesquisador percebe nos filmes dois medos distintos no entorno dos quais os sentidos de terror são construídos. Em “Trabalhar Cansa” o terror permeia o medo de não garantir um futuro, enquanto em “Mangue Negro”, seu sentido se constrói pelo medo de não garantir a integridade física.

A pesquisa está integrada ao grupo de pesquisa TCAv (Audiovisualidades e Tecnocultura: comunicação, memória e design). A defesa ocorreu no dia 24 de abril de 2019, no campus de São Leopoldo. A banca de avaliação foi composta por Profa. Dra. Cristiane Freitas Gutfreind (PUCRS), Prof. Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes (UNISINOS) e Profa. Dra. Sonia Estela Montaño La Cruz (Orientadora).

É possível acessar a dissertação no endereço eletrônico: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/8754


Os filmes pesquisados estão catalogados no Internet Movie DataBase, IMDB:

Trabalhar Cansa (de Juliana Rojas e Marco Dutra, 2011), em: https://www.imdb.com/title/tt1686328/

Mangue Negro (de Rodrigo Aragão, 2008), em: https://www.imdb.com/title/tt1329396/

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