Dissertação aborda glifo no audiovisual



No dia 28 de março, s 14h acontece a defesa da primeira dissertação do TCAv de 2012. Trata-se da pesquisa de Rangel Redaelli com o título “Glifos durantes na superfície audiovisual”. O estudo se propõe a formular um conceito que dá o título dissertação e avalia o impacto da intervenção de elementos estáticos impressos sobre a imagem movente a partir do conceito de duração de Bergson e de linha e superfície de Flusser. Investiga também, em diferentes experimentos audiovisuais, a duração agenciada por estes glifos.

Entre as descobertas, Rangel assinala o audiovisual como lugar de investigação do tempo, por excelência. “Nele, observamos que os atuais são modos de agir das coisas no espaço, e que os virtuais são seu modo de ser. Por audiovisualidades entendo tudo aquilo que não está no filme como atualidade, mas é parte dele como devir”, defende. O aluno parte de que cada objeto apresentado no filme é rico em virtualidades, contém todo seu passado e sua hipertextualidade, que coalescem em uma mesma manifestação, um atual.

A pesquisa partiu de uma mirada voltada ao design de tipos, tipografia propriamente dita. Superando um olhar habituado com serifas, cores, fontes, pesos, itálicos, cursivos, o pesquisador foi separando, naquele objeto tudo aquilo que não era tipográfico. “Das virtualidades que emanaram deste afastamento, produzi uma reviravolta, ou seja, uma curva nas linhas que se afastavam, colocando-as em convergência. Na reviravolta, tipografia e glifos voltam a se encontrar, produzindo, com diferença, um conceito. Fica claro que os tipos podem ser agentes do tempo. São objetos cênicos, como uma montanha, um rosto ou uma casa, que carregam em si uma memória”, explica o aluno. A memória, porém, seria exclusiva do objeto, e o objeto tipográfico possui características que o distinguem dos demais, pois é um módulo do código de linha. Essa distinção é reforçada pela maneira como o tipo vai parar lá, tornando-se glifo: ele é pintado na tela, intencionalmente, pelas mãos de um artista.

A molduração do glifo, enquanto procedimento técnico, pode ser mais ou menos discreta, assim como é a intencionalidade do pintor/escritor/cineasta. O emolduramento produzido, por sua vez, é ainda mais subjetivo, pois é a significação deflagrada. “Os glifos não estão na seara da inteligência, embora dela dependam para afectar o espectador. Estes glifos duram na imagem em movimento porque são muito mais do que código conceitual ou código imagético: eles são um novo agente do tempo na superfície audiovisual. Sua fixidez e sua objetividade constroem um novo estatuto de leitura e de scanning da imagem, desmagicizando-a para remagicizar”, antecipa o mestre.

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