Imagens e softwares no primeiro dia da XVII Semana da Imagem na Comunicação

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Daniel Bassan Petry foi o segundo convidado a falar no primeiro dia da XVII Semana da Imagem na Comunicação e levou o tema “Artesanias, automações e lembranças a partir do software”. Apresentou-se relatando como as imagens estavam e estão presentes em sua vida e lembrou que desde a infância, ao comprar uma câmera escondido dos pais, percebeu uma relação mais íntima com o universo da fotografia. Posteriormente quando conseguiu uma câmera digital, começou a fotografar, ganhou prêmios e foi se profissionalizando mais. Depois de enfrentar dúvidas sobre qual curso investir, aproximou-se do curso de cinema e seguiu nessa área. Com diferentes trabalhos técnicos na produção audiovisual, Petry foi se envolvendo cada vez mais com esse e campo. Esses seriam os primeiros passos para seguir estudando imagens, softwares e as novas mídias.

O pesquisador fez mestrado (2011-2013) e doutorado na Unisinos (2013-2017) e hoje é professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). Em sua fala, relatou o que no mestrado foi o seu principal interesse de descoberta: “algumas palavras saltaram com uma perspectiva relevante, como imagens, software, efeitos, cinema, digital”. No decorrer do mestrado, cada uma dessas palavras foram tomando contornos mais compreensíveis e foram sendo percebidas juntos a conceitos e autores como Novas Mídias (Manovich), Imagens técnicas (Vilém Flusser), Remediação (Jay David Bolter e Richard Grusin), Cultura Visual (Nicolas Mirzoeff) para pensar a relação dos softwares dentro do cinema e dos efeitos visuais.  A metodologia que lhe serviu para pensar sua pesquisa foi a “Arqueologia da Mídia”. Com ela foi buscando vários materiais e fontes, trazendo filmes como o “Um homem de Cabeças” (George Mélies-1898), “Star Wars” (George Lucas – 1997), “Forrest Gump” (Robert Zemeckis-1994), “Trilogia Senhor do anéis” (Peter Jackson – 2001-3) e “Avatar” (James Cameron – 2009).

Ao passar para o doutorado teve a vontade de continuar refletindo pela perspectiva das novas mídias perscrutando como elas podiam ser tensionadas. Seu projeto foi se modificando aos poucos, e foi nas leituras da autora Wendy Chun que passou a refletir mais profundamente sobre mídias digitais e efemeridade, controle e liberdade a partir do software. Um aspecto importante era a sua relação com as imagens e lembranças a partir de softwares distintos. Fez uma observação do estágio inicial do software e verificou como se davam as mudanças diante das relações dele com o software. Com isso chegou na seguinte abordagem/tema para a pesquisa “As lembranças propostas pelo software: o agir e aprender do Google Fotos na manutenção e curadoria de imagens pessoais”. O pesquisador tentou pensar até que ponto o software é o responsável pelo o que eu lembro ou o que eu esqueço. Hoje, a questão da imagem-lembrança ainda perpassa as reflexões de Daniel Bassan Petry, envolvendo-se em um projeto com seus alunos do IFRS abordando a técnica da Cianotipia para ver “como elas vão perdurar e como elas vão permitir lembranças diferentes do que o software permite”.

A fala do pesquisador e professor incitou a curiosidade de quem o assistia. Assim, dentre as perguntas que foram direcionadas ao Petry, uma relacionava-se sobre como selecionar seus materiais de análise, quais critérios foram usados, visto que ele tinha um banco de dados imenso; outra se referia sobre como lidar com as falhas do software; e ainda, o que ele pensava sobre a discussão do poder diante das imagens que são geradas pelo software, o que (e como) está sendo posto e que poder é esse.  A XVII Semana da Imagem contou com a participação presencial de estudantes de graduação e pós-graduação da UNISINOS. A mesa foi transmitida ao vivo, mas foi mantida a gravação na página do facebook “Audiovisualidades TCav”. Para saber do conteúdo da mesa e as perguntas e respostas que ela instigou é só acessar o link: https://www.facebook.com/audiovisualidadestcav/videos/899718777045020/

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