Narrativas audiovisuais móveis foi tema de curso na Espanha

A cidade como suporte, espaços híbridos e narrativas audiovisuais móveis foram os temas de um curso de curta duração ministrado pelos professores Tiago Lopes (TCAv-Unisinos), Lenara Verle (Unisinos) e Camila Farina (Uniritter). O curso aconteceu em novembro de 2010 na Casa Invisible, um pólo de atividades sociais e culturais que fica na região histórica de Málaga, na Espanha. Com o título Cidade transmídia, o curso foi resultado de um edital do Centro de Producción y Experimentación en Contenidos Digitales – vinculado ao departamento Espacio-Red de Prácticas y Culturas Digitales da Universidade Internacional de Andalucía (UNIA). Durante dois dias, 20 participantes, dentre artistas, músicos, professores universitários, estudantes de pós-graduação, realizadores audiovisuais e ativistas sociais produziram, editaram e divulgaram conteúdos audiovisuais hipermidia, disponíveis para acesso em ambiente digital.

Durante o curso, os participantes estiveram conectados e inseridos no ambiente da cidade de Málaga, onde a atividade foi realizada. “De modo geral, o curso abordou uma série de questões de ordens técnicas, narrativas, lúdicas e sociais”, explica Tiago Lopes, um dos professores. Conforme ele, as narrativas audiovisuais foram produzidas colaborativamente, visando interação com o público receptor por meio da criação de quatro personagens que, enquanto andavam pela cidade, iam criando trajetos e narrativas audiovisuais. O público pode interagir com o produto resultante do curso acessando-o na web, através de vídeos incorporados em um mapa onde se encontram representados os trajetos percorridos pelos personagens nos quais expressam seus olhares sobre a cidade. Os trabalhos foram acessados também por telefones celulares e outros equipamentos portáteis que permitiam conectar-se aos conteúdos que iam sendo produzidos desde diversos locais.

Segundo Tiago Lopes, a experiência criou uma atmosfera de interatividade lúdica que incentivou a reflexão sobre as identidades dos lugares, decorrente do confronto entre o que é percebido in loco e o que é expresso sob a significação operada pelos elementos técno-estéticos e narrativos do audiovisual, assistido em um telefone celular. O professor destaca como o estudo das audiovisualidades oferece possibilidades variadas de abordagem, desde níveis mais abstratos de reflexão teórica até o desenvolvimento de projetos aplicados em diversas áreas. “Na perspectiva adotada pelo TCav, o audiovisual não está subordinado apenas s mídias reconhecidamente audiovisuais, mas, para além disso, está por toda a parte, se misturando s práticas sociais dos mais variados campos da experiência contemporânea”, explica. Com isso, ele aponta para a demanda de novas formas de compreender o audiovisual a partir das transformações tecnoculturais e acredita que a proposição de cursos e atividades que levem experimentação audiovisual pode ajudar a conceituar essas transformações. “A experiência de oferecer cursos em outros lugares, dentro e fora do país, indica, dentre as alternativas que estão ao nosso alcance, uma forma profícua de enriquecimento do debate sobre as audiovisualidades e sobre as potencialidades de produção e consumo do audiovisual na atualidade”, defende o pesquisador.

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