O fim do reinado das HD-DSLR?

Hoje é difícil escapar das HD-DSLRs. Mesmo a espectadora que não possui conhecimento nenhum sobre câmeras e imagens sentiu o efeito delas. Elas foram as responsáveis pela democratização das imagens desfocadas e do slow-motion, tanto na televisão como nos curtas-metragens de baixo orçamento. Como técnico cinematográfico convivi com as constantes perguntas sobre o que tinham as novas propagandas que pareciam cinema? E a novela das seis?
Ainda que a publicidade seja, junto com o cinema, o último refúgio do 35mm, as HD-DSLRs invadiram o espaço do filme e cortaram os custos de produção radicalmente. A “novela das seis”, por mais que não tenha sido gravada com uma, pegou carona na mudança trazida por elas: desfoque para todos!
Por mais que esta inovação não tenha acontecido completamente por acidente, a Canon não pode negar o quanto a sorte ajudou-a neste processo. A Canon 5D Mark II, primeira câmera desta leva, veio com a função de gravação de vídeo habilitada, mas completamente deficiente: não era possível ajustar manualmente a abertura da lente ou selecionar a quantidade de fps. Fotógrafos que perceberam o potencial da câmera tinham que recorrer a lentes antigas que possuíssem abertura manual, além de muitas traquitanas em volta da câmera para superar as deficiências. Por mais montada que a câmera estivesse, independente das melhorias trazidas pelos firmwares futuros, no fundo a 5D e suas irmãs sempre foram e sempre seriam uma coisa: uma câmera fotográfica capaz de gravar vídeos. Vídeos bons, longas, publicidades, institucionais e até seriados americanos (sim, refiro-me ao House).

Para entrar de vez o mercado cinematográfico a Canon lançou ontem uma nova linha de câmeras, chamada Cinema EOS.

O anúncio da empresa ficou focado na nova câmera C300 e nas novas lentes. A possui acessórios moduláveis e foco na gravação de vídeo. Apesar do sensor possuir uma resolução elevada 9próximo ao padrão 4K) a gravação é feita em Full-HD. A Canon diz que a câmera foi feita para entregar a melhor fidelidade de cores disponíveis graças ao novo sensor CMOS Super 35mm e ao processador próprio da empresa, o DiGIC DV III.

No anúncio da câmera, ocorrido ontem em Hollywood a empresa mostrou alguns vídeos que já estão sendo produzidos com a câmera. O destaque foi para Möbius (http://vimeo.com/30215350) de Vincent Laforet e XXIT de Sam Nicholson.
XXIT (lê-se exit) é um filme futurista e ganhou a atenção do público por diversas cenas rodadas em chroma key. O sensor da câmera possui mais sensores verdes que vermelhos e azuis, isso poderá melhorar a captura e a qualidade geral das cenas feitas em chroma.
Laforet ganhou a atenção do público por ter sido o primeiro a investir pesado na 5D, antes de ela ser lançada para o público a Canon lhe cedeu uma câmera por 24 horas e ele imediatamente gastou US$5000,00 para fazer um pequeno curta-metragem chamado Reverie (http://vimeo.com/7151244) , diferente dos outros fotógrafos que testaram a câmera somente com stills e acreditavam que a capacidade de gravar vídeos seria só mais uma função dentre tantas da câmera.

As lentes que foram anunciadas junto com a câmera são duas 14.5-60mm, duas 30-300mm, 24mm, 50mm 85mm Estas lentes tem como foco a gravação de vídeo corrigindo diversas reclamações que surgiam ao gravar vídeos com lentes fotográficas, como a sensibilidade e imprecisão dos anéis de foco e zoom.
A câmera, com versões para lentes EF e PL, estará disponível em Janeiro por US$20.000,00. O preço está dentro do esperado para uma câmera deste porte, o que a Canon não contava era com o anúncio que a RED fez na mesma noite: RED SCARLET.

A Scarlet vai custar menos da metade (US$9.750,00), estará disponível antes (Dezembro), resultará em vídeos com uma resolução melhor (4K) e é compatível com as lentes da Canon. Parece que enquanto a Canon preparava um evento grande, a RED gastou todo o tempo na câmera.
Mesmo que comparando as duas a Scarlet seja muito melhor, é possível que a adoção da C300 surpreenda. Os produtos da Canon foram sempre confiáveis, enquanto que a RED tem um histórico bem ruim devido as falhas da RED ONE, primeira câmera da empresa. Ao trabalhar com a câmera seguidamente ela travava, precisava de muitos cuidados e de um técnico específico para ela, enquanto que as Canon eram tratadas como o protagonista do filme de Laforet trata sua 5D.
Agora é esperar para ver os filmes que resultarão destas duas câmeras e o que o mercado vai preferir. Não se surpreenda se a 5D continuar sendo a rainha do baixo orçamento, ou que será destronada por uma terceira câmera, que também foi anunciada nesta noite.

Junto com todos os lançamentos de ontem a empresa anunciou silenciosamente uma outra câmera: a EOS Movies. Mesmo que aposte em câmeras para o cinema a Canon não pode deixar de alimentar o mercado que já é seu: o de câmeras fotográficas que quebram um galho na gravação de vídeos. Esta gravará em 4K em um formato comprimido (como fazem as 1Ds, 5D e 7D hoje). O nome e mais detalhes dela não foram anunciados e/ou não são definitivos. No anúncio feito para a imprensa havia um convite para entrar no site www.canoncinemaeos.com mas lá não há informações sobre esta câmera, somente da C300.

Fonte: engadget.com e canoncinemaeos.com

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