Roberto Tietzmann e a construção do imaginário sobre televisão no Brasil

Palestra sobre a televisão antes de Chateubriand encerra a Semana da Imagem 2016


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Fonte: Reprodução Semana do Cinema.

A palestra que encerra o ciclo de debates da Semana da Imagem deste ano, no dia 18, conta com a presença de Roberto Tietzmann, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).  A contribuição de Tietzmann será sobre A televisão no Brasil antes de Chateubriand: a construção de um imaginário sobre o meio através da imprensa. O evento ocorre no Auditório Pe. Bruno Hammes, campus São Leopoldo.

A proposta do palestrante é abordar como jornais brasileiros falavam da televisão antes de sua implantação no país, que ocorreu em 1950 por iniciativa de Assis Chateaubriand, ao inaugurar a TV Tupi.

Tietzmann conta que, enquanto preparava uma aula, encontrou diversos relatos sobre televisão no Brasil, antes mesmo de 1950: “Este não era o tema da aula, mas era tão interessante que se transformou em uma comunicação na Rede Alcar, um evento dedicado à história da mídia, e agora na Semana da Imagem com alguns acréscimos”, afirma.

Para o palestrante, a importância da perspectiva histórica é justamente de entender como as rupturas culturais e tecnológicas sempre estiveram presentes na comunicação, e como a comunicação constrói imaginários a respeito:

“Se nestas semanas um bocado de gente está pirando com o Pokémon GO, e isto parece novo, que construção de imaginário foi sendo feito ao longo dos anos para facilitar a adoção de novos dispositivos? No caso da televisão foram mais de vinte anos, só na imprensa brasileira”, ressalta e continua: “no Pokémon também! A primeira versão do jogo ainda é para os videogames portáteis Gameboy da Nintendo na década de 1990”, encerra.

Os estudos em andamento de Roberto são referentes, de modo geral, aos audiovisuais da web. Sejam eles sobre estética de vídeos tutoriais, apropriação de plataformas de mineração de dados, plataformas de distribuição de audiovisuais e, também, a Inova TV que idealiza novas propostas de produção audiovisual para TV. Já o interesse por estudos da sobre imaginário surgiu para Tietzmann como uma curiosidade pessoal, que foi transformada em pesquisa científica posteriormente. Quando iniciou sua carreira de professor universitário aqui na Unisinos, em 1999, ele lecionava cadeiras práticas como a de realização de comerciais para TV e documentários. Mas então começaram a surgir novos questionamentos:

“me aproximei da ideia de que estas produções dialogam constantemente com um repertório de ideias vigentes na cultura, o imaginário, e se transformam ao longo do tempo. Assim, passei a me questionar: o que está nas bordas deste repertório? Que ideias são emergentes ou pouco visitadas? No caso da televisão do Brasil, me interessaram as histórias pouco contadas, como esta que modestamente investiguei aqui”, esclarece.

Com relação à temática da Semana da Imagem 2016, que pretende debater sobre ‘Memória das Imagens, Imagens da Memória’, a principal contribuição que Roberto Tietzmann pretende dar ao evento é que as novidades são construções, e não apenas rupturas.

“Vivemos em uma circunstância de continuidades e rupturas constantes, de remediações que frequentemente desafiam nossa capacidade de classificação. Por exemplo: digamos que alguém gravou um trecho do Jornal Nacional ainda na década de 1970 e hoje botou no Youtube. Isto é TV? Parece seguro dizer que não mais. Mas e se expandirmos à tela cheia? E se rodarmos em um aparelho contemporâneo? Podemos saltar entre a transmissão da noite, ao vivo, e a memória do meio de décadas atrás em um piscar de olhos. Entre ambos será possível perceber rupturas e continuidades estéticas, comunicacionais e tecnológicas”, diz.

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