Terceira noite da Semana da Imagem: “pausa audiovisual”

Seguindo a programação da 10ª Semana da Imagem na Comunicação, na próxima quinta-feira, 17, Cybeli Moraes e Gustavo Spolidoro discutem a “pausa audiovisual”, especialmente sobre os filmes “Ainda Orangotangos” e “Início do fim”. O painel ocorre a partir das 20 horas, no Miniauditório Pedro Pinto.

Para se entender o que Cybeli define como “pausa audiovisual”, uma declaração sua pode ser bastante esclarecedora: “Especificamente em torno da minha pesquisa, a conclusão principal é que os fenômenos que nos acostumamos a chamar de fotografia no cinema, câmera lenta, plano sequência, stop motion, time-lapse e até a “evolução” do gif animado – nas atualíssimas cinemagraphs – não são coisas diferentes, mas sim resultados de uma potência só: a pausa audiovisual, essa entre-imagem que assim é chamada por sua constante passagem entre foto, vídeo, cinema, etc. E o mais interessante é que esta pausa que produzimos há tempos – se levarmos em conta a criação da fotografia ou as primeiras experiências de projeção de imagens, que datam do teatro chinês de sombras – diz muito sobre os anseios do homem em relação a sua própria existência… afinal, que ser seria capaz de produzir um efeito capaz de cortar e ao mesmo tempo não cortar? Pois uma pausa é isso, no sentido verbete do termo: ela não é ponto final nem vírgula, mas sim as duas coisas ao mesmo tempo. Ela suspende, assim como vivemos a nossa vida – algo que acontece entre um começo que não reconhecemos e um final que não podemos precisar”.

Segundo Cybeli, ela e Gustavo Spolidoro, seu colega de mesa de discussão, compartilham uma ideia a respeito da aproximação entre academia e mercado: as universidades, em especial no que diz respeito pesquisa acadêmica, precisam entender a importância da produção, da realização e da prática. Mesmo entendendo que ambos os lados precisam zelar por suas convicções, a pesquisadora pontua que a abertura de um canal de diálogo entre estes dois espaços é essencial: “Não fazer esse movimento é dar um tiro no pé da própria ideia de ‘teoria’”, opina.

Ao ser questionado sobre o mesmo ponto, Spolidoro pontuou que ainda existe um tabu em relação aceitação da produção e da prática, por parte das universidades. “As pós-graduações em Artes Visuais, por exemplo, têm nos projetos artísticos seu grande objeto. Por quê no audiovisual ainda o foco é tão centrado na pesquisa e nas teorias, e é tão difícil trazer uma prática de realização?! Por que tantos acadêmicos do meio audiovisual ainda torcem o nariz quando se diz que se está fazendo uma pós teórico-prática?!”, questiona o realizador audiovisual.

Se ao falar sobre a relação academia-mercado, Spolidoro discorre sobre mudanças que ainda precisam ocorrer, quando o assunto é a evolução recente do audiovisual no Brasil a sua opinião é outra. O diretor pontua que a partir da metade da década de 1990 surgiram as câmeras digitais e o modelo de produção começou a mudar. Por outro lado, na sua opinião, as salas de cinema ainda não se adaptaram a um sistema de exibição que acompanhe o sistema de captação. “Ocorre que, ainda hoje, os filmes precisam ser transferidos para 35mm para serem exibidos. As salas com sistema digital são poucas (cerca de 10%) e é um sistema que Hollywood não usa (chama AUWE e surgiu para exibir comerciais, porém os cineastas brasileiros, acertadamente, o usam para exibir muitos de seus filmes)”, explica. Ele diz ainda que o modelo de produção também está mudando, tornando as equipes menores e os filmes mais viáveis financeiramente.

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