Uma tecnometodologia para pensar os efeitos de silêncio no cinema

A partir da hipótese de que há uma dimensão tátil no silêncio cinematográfico e que esse fenômeno não decorre da ausência de som, Magda Ruschel desenvolveu a tese intitulada O silêncio retratado em imagens fílmicas. Orientada pela professora Dra. Suzana Kilpp, a pesquisa de doutorado está integrada ao TCAv (Audiovisualidades e Tecnocultura: comunicação, memória e design).

Magda Ruschel durante a defesa da tese

O trabalho buscou problematizar a técnica e a estética dos efeitos de silêncio em certas imagens fílmicas. Para isso, foram selecionados quatro longas-metragens produzidos em diferentes épocas: The Fall (2006), O Silêncio (1963), Gravidade (2013) e Aningaaq (2013).

Os movimentos metodológicos que possibilitaram tanto à busca quanto à análise dos filmes constituem a tecnometodologia proposta por Magda Ruschel. Trata-se de uma articulação entre procedimentos heurísticos como a escuta deslizante e a produção de infonográficos das sonoridades com o método intuitivo de Henri Bergson (2006), as cartografias de Walter Benjamin (2006) e a metodologia das molduras de Kilpp (2003, 2010).

O objetivo desse arranjo é desempenhar uma espécie de dissecação das imagens sonoras afim de autenticar os efeitos de silêncio. Para dar a ver as conexões desses aspectos técnicos e estéticos nos audiovisuais analisados, Magda Ruschel identificou três constelações: 1) Sucessividade em O Silêncio, 2) Simultaneidade em Gravidade e 3) Espessurização em Aningaaq.

Com base em uma reflexão dialética, Magda Ruschel observou que tais efeitos de silêncio repercutem tanto no cinema quanto em outros meios de comunicação audiovisual. De certa maneira, esses atravessamentos configuram uma multiplicidade de sons, imagens e tempos, cujas as nuances e as afinidades permitiram a construção dos “retratos de silêncio” sistematizados em: a) Expressões de Silêncio, (b) Salões de Silêncio e (c) Códigos de Silêncio; (d) Espessuras de Silêncio.

Expressões de silêncio (The Fall,Tarsen Singh, 2006)

Salões de silêncio (O Silêncio, Ingmar Bergman, 1963)

Códigos de silêncio (Gravidade Alfonso Cuarón, 2013)

Espessuras de silêncio (Aningaaq, Jonas Cuarón, 2013)

Para além das escutas e das capturas dos projetos sonoros,  o trabalho de Magda Ruschel também propõe uma compreensão sobre os imaginários e as tecnologias do silêncio no ambiente da Tecnocultura.

A banca ocorreu no dia 27 de setembro de 2017, no campus de São Leopoldo e contou com a avaliação dos professores Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes (UNISINOS); Dr. Gustavo Daudt Fischer (UNISINOS), Dra. Sara Alves Feitosa (UNIPAMPA); Dra. Cristiane Freitas Gutfreind (PUCRS) e Dra. Suzana Kilpp (Orientadora).

Em breve, a tese estará disponível no Repositório Digital da Biblioteca da Unisinos

Para acessar outros trabalhos de Magda Ruschel:

Artigo: O silêncio retratado em imagens fílmicas

Artigo: Breve ensaio sobre os constructos de silêncio no audiovisual.

Dissertação: O estado sizígio de televisão: por uma metodologia de pesquisa do som no audiovisual

Você pode gostar...

Deixe uma resposta