YouTube LeanBack

“É porque não aprendemos ainda como ler filmes e programas de TV. Ainda os lemos como se fossem linhas escritas e falhamos na tentativa de captar a qualidade de superfície inerente a eles. ” (FLUSSER, Vilém)

Televisão versus internet. A rivalidade que surgiu entre os dois formatos desde que a web passou a suportar a exibição de vídeos caminha agora para a convergência. Se a linguagem de uma acabou por influenciar a outra, o mesmo pode ser dito para o layout e o estilo de navegação pelos vídeos apresentados na web.

Em Julho deste ano, o YouTube ativou um novo serviço para os seus visitantes. Ainda em fase de testes, o protótipo chama-se Leanback.

“Leanback” significa “recostar-se”, e propõe que você relaxe e se divirta. Assistir ao YouTube se tornará tão fácil quanto assistir TV”, destacou Kuan Yong, gerente sênior de produto, em um post no blog do YouTube.*

A partir daí, é possível perceber, que além da convergência entre as imagens produzidas pelos meios, s mídias em si estão convergindo. E é nestes meios especificamente, que a técnica pode desenvolver-se. São nesses movimentos entre os aparelhos que aumentam as possibilidades de mudanças na imagem.

Para compreendermos de que maneira a televisão e a internet estão convergindo, precisamos ter um melhor entendimento sobre os conceitos de banco de dados, e narrativa linear.

No leanback, nos deparamos com uma interface em que os vídeos são reproduzidos linearmente, sem qualquer interferência na tela, que não a imagem escolhida pelo “espectador”. A lógica seqüencial da ordem dos vídeos, quando não erigida pelo usuário, é dada por algoritmos que acessam seus dados, identificando preferências, que levam em conta as últimas buscas no site. A internet procura, portanto, dirigir-se a um modelo narrativo de apresentação dos vídeos, suprimindo sua principal característica, seu caráter de banco de dados.

Nas ciências da computação, bancos de dados são definidos como uma coleção estruturada de dados. Os dados armazenados em um banco de dados são organizados para buscas e recuperações rápidas pelos computadores. Portanto, é tudo menos uma simples coleção de itens. (MANOVICH, 2001, p.194,tradução nossa)

Portanto, se quisermos nos focar nas possibilidades imagéticas possíveis, deste tipo de convergência e tensionamentos, e também nas alterações dos próprios meios. Também teremos de alterar nosso modo de pensar os objetos. Devemos estar prontos para nos engendrarmos por “representações flexíveis, móveis, quase fluidas, sempre prontas a se moldarem sobre as formas fugidias do mundo sensível em movimento.” (BRAGA, Eduardo Cardoso, 2007)

Entre em youtube.com/leanback e experimente!

*Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/4580-leanback-o-youtube-de-cara-nova.htm#ixzz1btFjo4hj

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