A potência crítica-dialética debatida em ‘Intensialidade da Memória em No Intenso Agora’

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Na última sexta-feira, dia 17 de setembro às 14h, a discente Julia Pinto de Souza defendeu sua qualificação de mestrado intitulada “A Intensialidade da Memória em “No Intenso Agora”, orientada pelo Prof. Dr. Gustavo Daudt Fischer (UNISINOS). A banca ocorreu de forma remota e contou com a avaliação da Profa. Dra. Sonia Montaño (UNISINOS) e do Prof. Dr. Michael Abrantes Kerr (UFPEL).

A pesquisa utiliza o método intuitivo bergsoniano para investigar como a intensialidade (virtual) se atualiza no filme documentário, de 2017, No Intenso Agora (atual). Júlia questiona como se configuram as camadas de intensialidade das imagens de arquivo de NIA, buscando compreender como a potência crítica/dialética das imagens de arquivo se manifesta no documentário.

A pesquisadora também realiza escavações das camadas de memória presentes em NIA, compreendendo suas respectivas intensidades e materialidades que abrigam mais de um tempo, indo da superfície fílmica a uma tecnocultura que ali se revela. E, ainda, desloca os arquivos de seu espaço na narrativa para obter uma perspectiva anarquivante acerca das imagens presentes no longa.

Imagem elaborada por Julia Pinto de Souza

Para tanto, a pesquisadora embasa a discussão proposta sob uma perspectiva de referencial investigativo.  Partindo de conceitos como imagem-lembrança (BERGSON, 2010), imagem dialética (DIDI-HUBERMAN, 2010), e o aspecto de arquivo (DERRIDA, 2001), torna-se   perceptível   e   compreensível   os   comportamentos executados nas e pelas camadas memoriais do documentário.  

Avançando para as abordagens metodológicas, revela os desdobramentos  de  análise  que  conduziram  a  pesquisa  até  o  estágio  atual,  explicando  as  processualidades  envolvidas nas etapas de flânerie, cartografia e dissecação. Ocorre a ênfase na etapa  dissecatória, pois é por meio das descobertas desta etapa que a pesquisa trilha seu caminho  rumo a pré-análise. 

Imagem elaborada por Julia Pinto de Souza

A partir de uma varredura nos acervos online das imagens de arquivo utilizadas  em  No  intenso  agora ,  a  pré-análise  investiga,  a  partir  de  uma  perspectiva  tecnocultural,  os  arquivos  em  seu  estado  natural  de  existência,  deslocado  da  narrativa  do documentário, revelando em si outros sentidos em sua essência, distintos aos atribuídos pelo diretor do documentário, João Moreira Salles.

Por fim, a pesquisa traz os próximos passos a serem trilhados a partir das observações levantadas na pré-análise, explicando como uma abordagem anarquivante dialoga com a pesquisa e no que ela consiste. 

A banca avaliadora aprovou a pesquisa nesta etapa de qualificação de mestrado e fez diversas contribuições, entre elas sugestões de leituras e encorajou ampliar alguns tópicos centrais que dizem respeito aos construtos dos arquivos, corpos e som.

Texto: Priscila Boeira

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