De que arqueologia das mídias estamos falando?

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Essa pergunta abriu a primeira de uma série de lives programadas pelo projeto Arqueologia das Mídias 101, trabalho de divulgação científica promovido pelos professores Gustavo Fischer (TCAv-Lab.Mem / Unisinos) e Marcio Telles (Escola de Comunicação / UFRGS) que busca, a partir de discussões sobre a arqueologia das mídias, fomentar uma rede de pesquisadores em âmbito nacional e internacional.

Nesse primeiro encontro, foram apresentadas pelos pesquisadores algumas perspectivas que buscam definir o que é a arqueologia das mídias. Seria uma abordagem? Uma metodologia? Uma teoria? Um campo? Um programa de pesquisa?

A resposta é que pode ser tudo isso, de forma heterogênea. Geralmente, trata-se de uma perspectiva que busca estudar mídias antigas, do passado e que são consideradas obsoletas ou esquecidas. Mas estas mídias também podem ser imaginadas ou não realizadas. Olhar para estas mídias abre novas perspectivas para estudar o presente e a cultura midiática contemporânea. Nesse sentido, nem a ideia do que é mídia é dada na arqueologia das mídias, mas sempre uma construção dessa ideia.

Caminhos e possibilidades

Dentre as possibilidades abertas, surge aquela de olhar para a materialidade das mídias, segundo o professor Gustavo Fischer descreve:

Recuperar uma materialidade que se extinguiu no sentido de funcionar como mídia ou um trabalho voltado para buscar uma potência minoritária em materialidades contemporâneas, ou ainda um lado inventivo da formulação de materialidades, de dispositivos e de circuitos que geram o ramo da arte-mídia. Também é pensar nessa materialidade em um sentido geológico e ecológico.

Conforme os pesquisadores, é pensar na ideia de desinvizibilizar o midiático, seja pensando o mesmo como um processo, como um suporte ou um discurso. O professor Marcio Telles propõe que é uma forma de hackear a história, em um processo de desescrever a história, descrever as tecnologias e escrever novas histórias, para que em seguida sejam desescritas novamente.

Pensando na potência social e político, Telles descreve a arqueologia das mídias como:

Um sintoma do presente, que é possível por causa da internet, que possibilita um acesso muito mais rápido a um passado […]; E essa mesma estrutura que possibilita a pesquisa em arqueologia das mídias, faz ela querer desconstruir a história que é contada para nós (sobre as mídias pelas próprias mídias).

Essa possibilidade acaba por inserir uma faceta de ativismo político na pesquisa, que contraria as grandes narrativas tecnológicas, como a do buscador Google, que conta a história das mídias como se ele próprio fosse um ponto final para onde todas as mídias convergem. Entretanto, são estas mesmas estruturas midiáticas que acabam possibilitando, em parte, a existência da arqueologia das mídias. Assim, essa perspectiva cria uma possibilidade de fazer uma história que seja minoritária, molecular, que seja dos vencidos e não dos vencedores.

Dentre as diversas possibilidades de investigação, os pesquisadores destacaram:

  • Materialidades
  • Mídias imaginárias
  • Discursos sobre as mídias
  • Memória
  • Arqueologia da comunicação
  • Arqueologia contra-factual

E por onde começar uma investigação com uma visada arqueológica? Seria pelo ponto que consideramos seu início? Ou seria pelo estado atual da mídia, ou seja, por hoje? Segundo Gustavo e Marcio, inspirados por Jussi Parikka, o ponto ideal seria o meio.

Além de uma fluente conversa com o público enquanto estiveram ao vivo, mais um motivo para acompanhar a transmissão, foi disponibilizado uma sistematização de autores e obras para discutir arqueologia das mídias. Para acompanhar a discussão é só se inscrever no canal da Escola de Comunicação, ou seguir o Arqueologia 101 nas redes sociais da própria Escola de Comunicação e do LabMem – Laboratório de Memória das/nas Mídias Online.

Texto: Leonardo de Mello e Augusto Bozzetti

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