Grupo de Pesquisa AUDIOVISUALIDADES E TECNOCULTURA: COMUNICAÇÃO, MEMÓRIA E DESIGN

HISTÓRICO:
O Grupo (Metodologias de pesquisa e experimentação em audiovisual) foi criado em 2003, com a seguinte ementa:
“No cenário nacional de pesquisa no campo do audiovisual, verifica-se uma cisão entre os diversos campos disciplinares que nele convergem contemporaneamente, além de uma contraprodutiva hipertrofia na utilização de determinadas metodologias e paradigmas teórico-metodológicos. Frente a isso, a perspectiva epistemológica do Diretório entende o audiovisual como um campo contemporâneo de convergência de formatos, suportes e tecnologias, resguardadas as especificidades do cinema, da televisão, do vídeo e das mídias digitais. A partir dessa compreensão, o Diretório pretende contribuir para um salto conceitual e metodológico, a fim de entender e explicar a produção audiovisual e experimentar novas poéticas, além dos padrões consagrados.”
Participavam do grupo os seguintes pesquisadores: Suzana Kilpp (1º Líder), Miriam de Souza Rossini (2º Líder), Fernando Mascarello e Flávia Seligman, mais Gustavo Fischer e Vitor Necchi pela coordenação dos cursos de Comunicação Digital e Realização Audiovisual, respectivamente. Apenas Miriam fazia parte do PPG. As atividades consistiram basicamente em formular e avaliar os projetos de pesquisa dos pesquisadores.
Em 2004, um novo grupo (Grupo de Pesquisa em Audiovisual) se formou para oferecer um PA (Programa de Atividades) (ver Anexo 1). A partir disso, em 2005 o Grupo (CNPq) foi reformulado para Audiovisualidades, com a seguinte ementa:
“(Audiovisualidades) – O diretório propõe a configuração do conceito de audiovisualidade a partir de três dimensões. A primeira encontra e analisa audiovisuais em contextos não reconhecidamente audiovisuais. A segunda percebe o audiovisual como campo contemporâneo de convergência de formatos, suportes e tecnologias, resguardadas as especificidades do cinema, da televisão, do vídeo e das mídias digitais. A terceira reconhece suas linguagens, configurações, usos e apropriações. A partir dessa compreensão, o diretório volta-se para pesquisas teórico-metodológicas e para experimentações audiovisuais que contemplem as dimensões nas quais as audiovisualidades se atualizam como devires de cultura.”
De 2005 a 2010, o GPAv formulou seus fundamentos teórico-metodológicos, criou duas disciplinas de Mestrado/Doutorado (Audiovisualidades nas mídias e Pesquisa de audiovisual), ampliou a base de pesquisadores, publicou livros, ofereceu mesas em eventos da área, promoveu palestras no PPG, orientou mestrandos e doutorandos.

Em 2010, o grupo passa por nova atualização, passando a ter a seguinte ementa:

“(Audiovisualidades e tecnocultura: comunicação, memória e design) – O diretório volta-se paras as tendências comunicacionais, memoriais, projetuais e experimentais do audiovisual, inscrevendo-o em um campo heterogêneo de formatos, suportes e tecnologias que atravessam e transcendem as mídias, por convergência e dispersão. As pesquisas autenticam e analisam audiovisuais em contextos midiáticos e em contextos não reconhecidamente midiáticos ou audiovisuais; reconhecem a historicidade e especificidade do cinema, da televisão, do vídeo e das mídias digitais, e as investigam na perspectiva mais geral de um aparelho e de uma ecologia audiovisual; buscam compreender suas linguagens e configurações nos usos e apropriações praticados pelas mídias e pelos espectadores, entendidos esses, agora, também como protagonistas. Emergentes da cena contemporânea, tais usuários são desafiados e seduzidos a também agirem – até mesmo de forma projetual – em larga escala, como as mídias, na medida em que se disponibilizam a eles mais e melhores ferramentas de realização audiovisual, mais ou menos dissemináveis na rede comunicacional expandida pela Internet. Tais práticas das mídias e dos usuários inscrevem as audiovisualidades como substâncias da cultura, impactada pela importância crescente do design em seu devir.”

Em 2013, o grupo atualizou seus “Fundamentos” prospectando futuras ações a serem desenvolvidas junto ao LABTICs – Laboratório de Tecnologias da Informação e da Comunicação, que deveria entrar em funcionamento até o final do ano. O LABTICS caracteriza-se como um espaço de produção, articulação e experimentação de procedimentos voltados para a pesquisa avançada de tecnologias da informação e da comunicação. Para alcançar seus objetivos, o espaço físico e os equipamentos articulam uns com os outros três ambientes, complementarmente – de desenvolvimento tecnológico da pesquisa, de experimentação e de visibilidade do PPGCC.

PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS:
Em suas realizações, o grupo objetivará competência, legitimidade e foco das pesquisas de audiovisualidades na tecnocultura, com ênfase na memória (duração) e design (inflexão tecnológica experimental e projetual, que avança com a chegada do LABTICs) do audiovisual contemporâneo.
Necessariamente, e em paralelo, o grupo buscará promover e estabelecer formalmente parcerias interdisciplinares dentro e fora da instituição, de âmbito no mínimo nacional. Neste momento as que ocorrem são as entre as áreas de comunicação (lato senso) e design, imediatamente alargadas e especificadas pelas de arte, tecnologias da informação, jogos, fotografia, audiovisual e comunicação digital.
Os pesquisadores do grupo poderão ser mais decisivos quanto aos projetos de seus orientandos, vinculando-os aos seus projetos de pesquisa. De preferência, e na medida do possível, todas e quaisquer atividades dos pesquisadores será compartilhada com seus orientandos (inclusive com a assinatura de autoria compartilhada, quando for o caso). Tais atividades farão parte planejada da orientação que lhes cabe institucionalmente realizar.
Exatamente nesses termos, pesquisadores e orientandos submeterão trabalhos individuais e em co-autoria a congressos das áreas privilegiadas, entendendo-se imediatamente a Compós, o Intercom e a Socine como os eventos prioritários da área da comunicação (o grupo deverá definir os das áreas afins) de âmbito nacional (os de âmbito internacional serão definidos mais adiante, mas quaisquer, nesse momento, são interessantes). Adota-se no grupo a lógica avaliativa das áreas em geral de que um mesmo texto é primeiro apresentado a um congresso, depois a uma revista e finalmente a um livro, para assegurar o que se entende por originalidade do texto.
O grupo deverá capacitar-se para e oferecer eventos importantes organizados por ele. Nessa direção, desde 2011, o grupo assumiu a coordenação da Semana da Imagem na Comunicação. Tais eventos, que implicarão, entre outras coisas, participar de editais com vistas a seu financiamento (que pode/deve incluir a publicação de anais e/ou livros), serão parte importante da estratégia de visualização e autenticação do grupo. Outras se somaram através da criação do site oficial do grupo, além de além de perfis em redes sociais ou sites de inserção, visualização e compartilhamento de conteúdo audiovisual como o YouTube.
O grupo deverá ser capaz de organizar e realizar cursos de extensão e de especialização em temáticas potentes para aglutinar interessados futuros pesquisadores/realizadores independentes ou para além dos programas de pós-graduação a que os pesquisadores estejam institucionalmente vinculados.
Finalmente, o grupo deverá pensar e agir estrategicamente no desenvolvimento e aperfeiçoamento constante das práticas de pesquisa, experimentação e socialização de resultados a partir das novas possibilidades abertas pelo LABTICs.

ORIENTAÇÕES:
1. As orientações demandam a participação dos alunos (regularmente matriculados ou como ouvintes) em disciplinas da pós-graduação.
Por isso (e por outras razões estratégicas e epistemológicas), no PPG em Comunicação, o programa de “Audiovisualidades nas mídias” deverá operar mais com autores como Benjamin, McLuhan, Flusser, Manovich, Machado e Bergson; e o programa de “Pesquisa em audiovisual” deverá produzir recortes metodológicos mais focados no atual escopo do grupo. “Seminários” e “Tópicos” deverão ser ofertados regularmente, e efetivamente serem espaço privilegiado para discussão das pesquisas do grupo (aliás, como são propostas pelo Projeto Acadêmico do curso). A linha de pesquisa “Mídias e Processos Audiovisuais” contará, a partir de 2014, com um “cardápio” de Seminários e Tópicos, de onde um determinado número de atividades desse gênero poderá ser pinçado a cada semestre para oferta no PPGCC.
2. As orientações são feitas individualmente e coletivamente.
Nas orientações individuais (pesquisador-orientando), mensais e demandadas pelos orientandos, serão tratadas as questões teórico-metodológicas de cada projeto de pesquisa (dos mestrandos e doutorandos).
As orientações coletivas serão feitas de dois modos:
– nas disciplinas, em que serão tratadas as questões teórico-metodológicas da pesquisa de audiovisualidades e tecnocultura;
– em reuniões mensais de todos os pesquisadores e alunos nas quais serão tratadas questões conceituais e teórico-metodológicas por diferentes dinâmicas (apresentação de textos, discussão de obra, entre outros). As reuniões também poderão tratar de questões estratégicas do grupo, inclusive as relativas à difusão das questões teórico-metodológicas dos projetos de pesquisa do grupo, do andamento das atividades no LABTICs, mas também as de legitimação do grupo na comunidade científica e as de promoção de parcerias com outros pesquisadores, desta e de outras instituições.

Oportunidades de expansão, legitimidade e visibilidade estratégica (com vistas a novos alunos, parcerias e projetos do grupo; com vistas ao aproveitamento das potencialidades dos alunos na produção do grupo; e com vistas a uma atuação mais decisiva dos pesquisadores na carreira acadêmica de seus orientandos):
O grupo deverá instrumentalizar-se para e organizar eventos regulares (como a Semana da Imagem na Comunicação…); cursos de extensão; mostras; curso (s) de especialização. Tais ações serão também oportunidades de estabelecimento de novas parcerias para o grupo e de se fortalecer quando participar de quaisquer editais de financiamento da pesquisa. O planejamento de atividades relativas ao LABTICs dialoga diretamente com estes aspectos.

OS CONCEITOS E AUTORES FUNDANTES:

Audiovisualidades

BERGSON, Henri. A evolução criadora. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
BERGSON, Henri. Matéria e Memória. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
EISENSTEIN, Sergei. O sentido do filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
EISENSTEIN, Sergei. A forma do filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
HANSEN, Mark B. N. New Philosophy for New Media. Massachusetts: MIT Press, 2004.
MACHADO, Arlindo. Pré-cinemas e pós-cinemas. Campinas: Papirus, 1997.
MANOVICH, Lev. The Language of New Media. Massachusetts: The MIT Press, 2001.

Tecnocultura

BENJAMIN, Walter. Passagens. Belo Horizonte/UFMG; São Paulo: imprensa Oficial do Estado da São Paulo, 2006.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1986.
BOLTER, Jay David; GRUSIN, Richard. Remediation. Massachusetts: The MIT Press, 1999.
CALABRESE, Omar. A idade neobarroca. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
CASTORIADIS, Cornelius. A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
FLUSSER, Vilém. O universo das imagens técnicas. Elogio da superficialidade. São Paulo: Annablume, 2008.
FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.
GALLOWAY, Alexander. The Interface Effect, Polity Books, 2012.
MACHADO, Arlindo. Máquina e imaginário. O desafio das poéticas tecnológicas. São Paulo: EDUSP, 1996.
MACLUHAN, Marshall. McLuhan por McLuhan: conferências e entrevistas. Ed. Ediouro, 2005.
MACLUHAN, Marshall. The Medium is the Massage: An Inventory of Effects. New York: Bantam Books, 1967. (with Quentin Fiore)
MANOVICH, Lev. Software Takes Command. 2013.

Memória

BENJAMIN, Walter. Passagens. Belo Horizonte/UFMG; São Paulo: imprensa Oficial do Estado da São Paulo, 2006.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1986.
BERGSON, Henri. A evolução criadora. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
BERGSON, Henri. Matéria e memória. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
ERNST, Wolfgang. Digital memory and the archive. Ed. Jussi Parikka. University of Minnesota Press, 2013.

Design

BEIGUELMAN, G. (Org.) ; LA FERLA, J. (Org.) . Nomadismos Tecnológicos (Dispositivos móviles: usos masivos y prácticas artísticas). 1. ed. Buenos Aires: Ariel, 2011. v. 1. 154p
BEIGUELMAN, G. . O Livro depois do Livro. 1. ed. São Paulo: Peirópolis, 2003. v. 1. 96p .http://www.desvirtual.com/thebook/o_livro_depois_do_livro.pdf
DERRIDA, Jacques. Ecografias de la televisión. Entrevistas filmadas a Bernard Stiegler. Buenos Aires: Eudeba, 1998.
FLUSSER, Vilém. O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
GALLOWAY, Alexander. Gaming: Essays on Algorithmic Culture.

(Referências metodológicas)

BENJAMIN, Walter. Passagens. Belo Horizonte/UFMG; São Paulo: imprensa Oficial do Estado da São Paulo, 2006.
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.
BERGSON, Henri. Duração e simultaneidade. São Paulo: Martins Fontes, 2006a.
BERGSON, Henri. O pensamento e o movente. São Paulo: Martins Fontes, 2006b.
CANEVACCI, Massimo. A cidade polifônica: ensaio sobre a Antropologia da comunicação urbana. 2. ed. São Paulo: Studio Nobel, 1997.
DELEUZE, Gilles. Bergsonismo. São Paulo: Ed. 34, 1999.
DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Ed. 34, 1998.
FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber, 7ª. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2009.
HUHTAMO, Erkki, and JUSSI Parikka, (orgs). Media archaeology: approaches, applications, and implications. University of California Pr, 2011.
KILPP, Suzana. A traição das imagens. Espelhos, câmeras e imagens especulares em reality shows. Porto Alegre: Entremeios, 2010.
PARIKKA, Jussi. What is Media Archaeology. Polity, 2012.__________________________

Em 2010, por conta da 9ª Semana da Imagem em Comunicação/TCAv e em resposta às informações solicitadas pela CAPES, acrescentamos os seguintes itens aos fundamentos do grupo:

Missão
O Grupo de Pesquisa TCAv volta-se paras as tendências tecnoculturais, comunicacionais, memoriais, projetuais e experimentais do audiovisual, inscrevendo-o em um campo heterogêneo de formatos, suportes e tecnologias que atravessam e transcendem as mídias, por convergência e dispersão.

Objetivos
Realizar, orientar e difundir pesquisas que autenticam e analisam audiovisuais em contextos midiáticos e em contextos não reconhecidamente midiáticos ou audiovisuais; reconhecem a historicidade e especificidade do cinema, da televisão, do vídeo e das mídias digitais, e as investigam na perspectiva mais geral de um aparelho e de uma ecologia audiovisual; buscam compreender suas linguagens e configurações nos usos e apropriações praticados pelas mídias e pelos espectadores, entendidos esses, agora, também como protagonistas.

Estrutura e funcionamento:
O Grupo, integrado por pesquisadores e estudantes (seus orientandos), estrutura-se nos moldes dos grupos de pesquisa do CNPq. A partir de um núcleo básico no PPGG em Ciências da Comunicação da UNISINOS o grupo promove e estabelece formalmente parcerias interdisciplinares dentro e fora da instituição, de âmbito nacional. Neste momento as já efetivadas envolvem as áreas de comunicação (lato senso) e design, imediatamente alargadas e especificadas pelas de arte, tecnologias da informação, jogos, fotografia, audiovisual e comunicação digital. Também avança para o estabelecimento de parcerias com pequenas empresas principalmente de realizadores audiovisuais e de comunicação digital
O grupo funciona em estratos e periodicidades diversas: encontros e debates dos pesquisadores; dos pesquisadores com seus orientandos individualmente e coletivamente; de pesquisadores e alunos em sala de aula. Promove eventos acadêmicos de ensino, pesquisa e extensão, inclusive com convidados externos; participa de eventos da área apresentando resultados parciais das pesquisas; publica regularmente em livros e revistas resultados parciais e gerais das pesquisas. Articula a pesquisa de pós-graduação com o ensino e a experimentação de graduação em eventos e principalmente em sala de aula.
O Grupo também integra e faz rede no Fórum Audiovisualidades (GPAv), com mais outros dois grupos de pesquisa.
O Grupo renovou recentemente sua plataforma on-line, disponível em https://tecnoculturaaudiovisual.com.br ou http://tcav.com.br, onde podem ser obtidas outras informações.