IMAGENS EM CRISE: Construtos de ambiguidade em Imagens Fotográficas no Instagram

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Rodrigo Brasil de Mattos defendeu sua banca de mestrado sob o título de “IMAGENS EM CRISE: Construtos de ambiguidade em Imagens Fotográficas no Instagram”

A primeira banca online do ano foi a de Rodrigo Brasil de Mattos. Sua pesquisa buscou dar a ver a construção de fotografias com múltiplos significados a partir do conceito de imagem crítica do filósofo Didi-Hubermann. O conceito de Huberman aponta para uma forma da imagem criticar a própria existência, enquanto crítica as formas que as enxergamos, dessa forma, quem mira a fotografia – materialidade do texto -, está sendo convidado para reconstruir e recompor as várias camadas existentes no plano.

Para ele, essas imagens críticas com sentidos ambíguos aparecem atualizadas na rede social de compartilhamento de fotos e vídeos Instagram. Essas inquietações sobre a imagem e seus inúmeros significados acompanham o autor desde a monografia e se estendem até o atual texto a partir de um tensionamento entre técnicas do passado em um devir constante na contemporaneidade. Ao escolher a plataforma Instagram para observar as imagens, Rodrigo reitera a importância de um espaço de diálogo entre os usuários que acessam essas fotografias, dessa forma tensiona também a interface em relação às imagens críticas contemporâneas. Os perfis que compõe o corpus do pesquisador são @encolhiaspessoas, @slinkachu_oficial, @tombobnyc e @paperboyo.

Trajetória – Processo de escrita e de afetos do pesquisador

Para Rodrigo, o mestrado foi um processo de escolhas e renúncias.

“Desenvolver minha pesquisa ao longo do mestrado como integrante do TCAv foi uma experiência de constante aprendizado, que me ensinou a rotina de reflexão crítica que um pesquisador deve desenvolver para produzir conhecimento em uma área tão importante para a sociedade como a comunicação.”

Ele ainda descreve um pouco o processo de transformação de seu objeto. “Especificamente no meu percurso, que ainda na fase de pré-projeto pretendia observar um certo tipo de imagem fotográfica chamada de “fotografia indie”, não foi diferente. Ao entrar em contato com as perspectivas teóricas do grupo e passar pelas experiências das disciplinas, meu objeto” de pesquisa foi aos poucos se desconstruindo para depois ser lapidado para o que se tornou meu objeto de pesquisa definitivo, a imagem em crise.”

Ao ser questionado sobre os próximos passos, em uma etapa pós-banca, Rodrigo fala que “os planos são de continuar redigindo artigos, elaborar meu projeto de doutorado com base nesse conhecimento desenvolvido, em abordagens instigantes de outros autores que também pensam na temática da pós-fotografia bem como em outros lampejos que tem surgido nesse período pós defesa.”

Procedimento – Olhares e movimentos

A pesquisa de Rodrigo é composta por dois movimentos metodológicos centrais: o primeiro de como as imagens foram selecionadas e o segundo de como os procedimentos foram aplicados nas mesmas.

O primeiro movimento é o de flânerie, ou seja, Rodrigo acessa vários perfis que estão na plataforma Instagram, principalmente a partir do Explorar e de sua Timeline. Esse processo começa em outubro de 2018 e se estende até dezembro de 2019. 

Após os perfis selecionados para compor seu corpus, o autor captura as telas na versão da plataforma para web e utiliza o software Adobe Photoshop para organizar e montar diversos comentários de uma fotografia em uma tela só. 

A partir das imagens selecionadas e dos comentários montados com o auxílio de softwares, Rodrigo age arqueologicamente, criando mapas de imaginários contidos nos comentários a partir da memória das mídias. Sobre isso, o autor aponta no texto que “em articulação com a dissecação, a abordagem arqueológica possibilita que seja possível explorar e produzir ainda mais camadas em busca de coalescências temporais, ampliando a teia de imaginários que se forma em torno das imagens analisadas” (MATTOS, 2020, p. 45)

O autor ainda cria três formas de apropriação das imagens críticas no Instagram, sendo elas: (i) perspectiva, (ii) relação corpo-objeto e (iii) arquitetura natural ou projetada (edificações). São esses três eixos que auxiliam na construção dos três estratos que guiaram as análises do autor, estes sendo: (i) fotografia de interface como território de manifestação de imagens em crise, (ii) Instagram como dispositivo produtor de imagens em crise e (iii) teias do imaginário das imagens em crise.

Para finalizar, Rodrigo demonstra interesse em continuar a pesquisa, com ênfase no conceito de imagem em crise, “Por isso, continuo com o desejo de continuar desenvolvendo pesquisas com a fotografia como objeto de pesquisa. Pretendo continuar lapidando os conceitos que foram construídos na pesquisa durante o mestrado, bem como melhor desenvolver outros que surgiram ao longo da dissertação de forma não tão explícita.”

A pesquisa “IMAGENS EM CRISE: Construtos de Ambiguidade em Imagens Fotográficas no Instagram”, de Rodrigo Brasil de Mattos está integrada ao grupo de pesquisa TCAV (Audiovisualidades e Tecnocultura: comunicação, memória e design). A defesa ocorreu no dia 09 de maio do ano de 2020, online. A banca foi composta por Tiago Ricciardi (Orientador), Gustavo Fischer (UNISINOS) e Beatriz Sallet (UNISINOS), por webconferência. 

A dissertação está disponível em: 

http://www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/handle/UNISINOS/9123/Rodrigo%20Brasil%20de%20Mattos_.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Texto por: Analu Favretto

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