Por onde andam os egressos do TCAv? João Ricardo Bittencourt

Dando continuidade à série de matérias sobre os egressos do TCAv, cujo objetivo é criar uma memória acerca dos membros e respectivas pesquisas que fazem parte da trajetória do grupo de pesquisa. O convidado dessa semana é João Ricardo Bittencourt, que foi doutorando em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, na linha Mídias e Processos Audiovisuais entre 2014 e 2018. Atualmente, João atua como professor adjunto da UNISINOS na Graduação Tecnológica em Jogos Digitais e na atividade transversal de Pensamento Computacional para todos os cursos da universidade.

Sobre a tese

Imerso na temática dos jogos digitais durante toda a trajetória acadêmica, João Bittencourt elaborou, sob a orientação do Prof. Dr. Gustavo Daudt Fischer, a tese intitulada Em busca da imagem videojográfica: uma cartografia das imagens de jogos digitais de 1976 a 2017, a qual ele propõe o conceito de uma imagem videojográfica articulando três camadas: a máquina, o lúdico e o audiovisual. O objetivo principal do trabalho constituiu-se em definir e compreender o conceito de uma imagem videojográfica identificando diferentes camadas – da maquinicidade, da ludicidade e da audiovisualidade, que atualizam-se sob este conceito.

Fonte: Facebook TCAv

Considerando a formação em Análise de Sistemas e Ciência da Computação, o pesquisador utilizou a metodologia do cultural analytics, desenvolvida pelo pesquisador Lev Manovich e articulada por uma perspectiva de caráter ontológico sobre os jogos digitais proposta por Alexander Galloway. Foram escavadas algoritmicamente mais de 30 mil imagens sintéticas de diferentes jogos do período de 1976 a 2017 e, através das imagens selecionadas, propôs-se construir novas formas de visualizar a imagem técnica produzida pela interação humano-máquina.

Outra metodologia que serviu de base para o desenvolvimento da tese foi a elaborada por Suzana Kilpp em relação às molduras, o que permitiu produzir diversas cartografias que auxiliaram na compreensão deste conceito. João comenta que “em suma, ao olharmos uma imagem sintética produzida por alguma máquina de jogar veremos uma imagem que deseja ser uma imagem de videogame, parafraseando Kilpp quando ela refere-se a imagem televisiva.”

A visão do pesquisador

“O doutoramento foi um processo incrível e muito desafiador. Sou Analista de Sistemas e mestre em Ciência da Computação, logo, sem um background na Comunicação. As leituras sempre foram muito fascinantes e nas reuniões do TCAv sempre aprendi muito. Tive a alegria de conseguir uma intersecção com a computação ao adotar o cultural analytics e contribuir junto ao PPG, e a linha de pesquisa com uma tese que possui uma forte perspectiva computacional mas contagiada pela comunicação. Terminei o processo muito satisfeito com a experiência por ter desenvolvido competências que justamente intencionava ao entrar no programa, por conseguir avançar na minha formação de base com um aprimoramento da comunicação e por permitir uma melhor compreensão da midiatização e dos processos audiovisuais relacionados aos jogos digitais.”

Fonte: Plataforma Lattes

O impacto social da pesquisa

O egresso João Bittencourt compreende que a principal devolutiva da pesquisa encontra-se no âmbito da Universidade. O impacto, para o pesquisador, está presente na qualificação de suas aulas, nas orientações e na atuação como professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Educação ao tensionar os olhares computacionais no contexto da educação, desenvolvimento e tecnologias. Para ele, a tecnocultura, o software cultural, o cultural analytics e os processos midiáticos contagiaram, de alguma forma, alguns projetos na educação.

João nos comenta que “de uma forma geral, a visão tecnocultural, o método da intuição (Bergson) e o processo de cartografar tornaram-se presentes na minha vida, tanto como docente, pesquisador, quanto sujeito. A perspetiva da tecnocultura ampliou a compreensão das relações entre o sujeito e a máquina, sua forma de produzir artefatos culturais, valorizando principalmente o software, o algoritmo.”

Texto: Amerian Aurich

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