Por onde andam os egressos do TCAv? Vanessa Ramos Furtado da Silva

De volta à nossa série sobre os egressos do TCAv, destacamos a trajetória da jornalista Vanessa Ramos Furtado da Silva, mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, na linha Mídias e Processos Audiovisuais.


Sobre a Pesquisa

A pesquisa de Vanessa intitulada: Bon Appétit: Construção narrativa e visual da série que abordou acerca da construção da narrativa seriada de Hannibal, no que tange principalmente ao visual, ou seja, a investigação analisou a história e seus arcos e, principalmente, como tudo era mostrado. Basicamente essa série mostra como um psiquiatra canibal já conhecido do cinema manipula diversos personagens envolvidos com o FBI enquanto, também, os ajuda na consultoria de diversos crimes. Foi preciso dissecar a série para tornar possível entender os jogos feitos entre os arcos narrativos e a estética cinematográfica.

A ideia de investigação era ter um apanhado de como as séries são pensadas desde a ideia dos showrunners até sua execução final com a escolha dos planos e conceitos ali apresentados com determinadas intenções aos espectadores. Em Hannibal havia uma particularidade: se mostravam crimes absurdos, porém, esteticamente belíssimos, segundo a pesquisadora. Havia ainda toda esta mesma relação com tudo o que era mostrado na culinária – fazendo, inclusive, uma relação direta com os crimes. Por exemplo: se a vítima A teve seu corpo encontrado sem o pulmão, havia na sequência uma cena de Hannibal Lecter preparando um pulmão em sua cozinha.

 Para tudo isso foram-se identificando muitas referências de “coisas que já deram certo” ali naquele empírico: havia referência ao expressionismo alemão na construção visual, a ideia de narrativa do crime trocado lá de Hitchcook, e as sensações e afetos herdados do gênero de horror, por exemplo.

“Eu sempre gostei muito de me perguntar como nos encantamos com séries (e filmes) tão pesados e que tratam de temas tão repugnantes – aí entramos naquela discussão de que os amantes do horror curtem essa sensação de “quase morte” diante de uma tela. Temos toda a adrenalina, mas nada nos acontece. Porém, me incomodava saber como essa construção era feita de modo a atingir tão bem este objetivo.”

Na graduação, Vanessa já havia seguido um pouco este caminho, onde analisou a série Dexter, que conta a história de um serial killer que possui um código de conduta próprio, em que só se mata os caras maus que a polícia não consegue prender – “uma espécie de justiceiro, né?!”- enfatiza a pesquisadora. Já o Hannibal, mata e cozinha partes de suas vítimas. Ele é estético, irônico e persuasivo. Ele serve suas vítimas aos próprios policiais que investigam seus crimes. E depois de tudo isso, ele ainda coloca sua culpa em outra pessoa.

A dissertação de Vanessa foi orientada pelo professor João Ladeira, que na época integrava o TCAv, “sou bastante grata ao João Ladeira, que na época me orientou, dentre as diversas horas de conversas, não teria nem metade das referências sem ele.”

Em suas investigações, Vanessa gosta de ir para a ficção, de pensar naquilo que distrai as pessoas, em como aquilo é pensado e executado. A pesquisadora não trabalha com cinema, então, é uma prática descolada de seu trabalho como jornalista. “Particularmente é isso o que eu mais gosto: ter esse escape fantasioso, é o que dá ainda mais curiosidade e vontade de estudar. Eu gosto de olhar para aquilo que não é visto como um objeto sério e extremamente relevante, eu gosto de ir para o lado do diferente. Ainda quero ingressar no doutorado para ir mais além nisso, há muita série para dissecar! risos!”


Impacto Social

Profissionalmente Vanessa trabalha como roteirista há seis anos. Para ela, aprender os truques técnicos das narrativas e como prender o espectador, ajuda muito nesse âmbito do trabalho. Atualmente, a pesquisadora trabalha na Sagah, uma das maiores empresas de produção de material didático EAD do país. Ali, dentre estas atribuições, ela roteiriza vídeos e materiais que precisam envolver o aluno de modo que ele se sinta parte atuante do conteúdo, para que isso potencialize seu aprendizado. Para Vanessa, isto é bem próximo do propósito das metodologias ativas, que são essenciais para a educação à distância.

“Em um dos últimos projetos que desenvolvemos, por exemplo, consegui pensar em vídeos gravados e encenados tendo o aluno como pessoa ativa da história, ou seja, houve toda uma preocupação em como roteirizar e captar estas imagens de modo que conseguíssemos que o aluno estivesse ali, subjetivamente participante da história, para resolver problemas. Sem toda a minha jornada acadêmica pesquisando sobre estes recursos, possivelmente eu não chegasse em resultados tão positivos”, destaca Vanessa.


Visão da pesquisadora 

Vanessa faz uma especialização em Neuropsicopedagogia, através da qual em seu estágio trabalha com seus pacientes através do uso de narrativas e recursos audiovisuais. Para ela, o ganho no envolvimento e no acesso às informações para melhor compreendê-los e auxiliá-los, é bastante interessante. “É uma abordagem que funciona. Acho que é isso, é conseguir ter um olhar que ressignifica e constrói possibilidades, independente da área que se pretende seguir!”   

“Acho que o grupo de pesquisa é um dos momentos de trocas mais ricos do mestrado como um todo. É o momento em que podemos colocar no grande grupo nossas hipóteses e ideias para recebermos norteamentos. É ali em que começa a tão importante socialização da pesquisa.”

A pesquisadora também faz uma relação bem pessoal com relação à fase do mestrado: “esse período foi o meu momento de amadurecimento enquanto ser humano. Passei por muitos problemas que me fizeram terminar a dissertação em corredores de hospitais, o que provavelmente não tenha feito eu dar o meu melhor naquela finaleira. Mas o legado foi positivo”.


Texto: Bibiana de Paula e Vanessa Ramos Furtado da Silva

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