O “sem rosto” como rosto da TV

Na última quarta-feira, 28 de junho, a mestranda Fabricia Bogoni realizou o seu exame de qualificação. Nesse dia, apresentou o seu trabalho “Audiovisualidades do sem rosto na TV” diante de uma banca de três professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS – Prof. Dr. João Martins Ladeira, Profa. Dra. Jiani Adriana Bonin e Profa. Dra. Sonia Montaño, orientadora da aluna. Após a apresentação, as avaliações e a defesa, ela foi aprovada, e a sua pesquisa, qualificada.

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O trabalho de Fabricia busca compreender o que é e como se manifesta o sem rosto na TV aberta brasileira, especificamente, nos canais de Rede Globo, Rede Record, SBT e Band. A mestranda considera como sem rosto as pessoas que tem algo a dizer, mas que, por algum motivo, não podem ou não querem aparecer na TV. A TV, por sua vez, utiliza recursos técnicos e estéticos – como a opacidade, o contraluz, a distorção de voz, dentre outros – para, ao mesmo tempo, mostrar e ocultar essas pessoas. Dessa forma, ganham visibilidade os construtos televisivos de sem rosto.

A cartografia “Sem Rosto na TV” – feita pela aluna para a sua qualificação – evidencia uma heterogeneidade de sem rosto. Em outras palavras, essa cartografia destaca as diferentes manifestações de sem rosto nas emissoras. Para citar dois exemplos, a vítima de pegadinha no quadro Câmeras Escondidas do Programa Silvio Santos do SBT e a vítima de assalto em uma matéria do Jornal da Band da Band. A primeira aparece com o rosto em opacidade; e a segunda, em contraluz, com a voz distorcida e com a fala transcrita na tela. Uma está no contexto do entretenimento; e a outra, no do jornalismo.

- Imagem Qualificação Fabricia Bogoni [Matéria de Cobertura TCAv] [02] (1)

Exemplos de sem rosto no SBT e na Band (Imagem elaborada pela autora para o site do TCAv)

Na parte metodológica de seu trabalho, Fabricia articula a Intuição, de Henri Bergson; a Flaneuria e a Cartografia, de Walter Benjamin; e a Metodologia das Molduras, de Suzana Kilpp. Nessa articulação, os movimentos e procedimentos metodológicos se reforçam e se complementam. Até o momento, as suas referências são de Gilles Deleuze; Sonia Estela Montaño La Cruz; Massimo Canevacci e Suzana Kilpp. Na parte teórica, a mestranda aborda alguns conceitos que ajudam a pensar o sem rosto na TV. Ela os divide em dois eixos, TV e Rosto. TV reúne os conceitos de Montagem, de Sergei Eisenstein; Imagem Técnica, de Vilém Flusser; e Ethicidade Televisiva, de Suzana Kilpp. E Rosto abrange três perspectivas – a técnica de enquadrar o rosto, as definições de rosto e a constituição do rosto. Nessas perspectivas, dentre outros conceitos, a aluna traz imagem-afecção, de Gilles Deleuze; rostidade, de Gilles Deleuze e Félix Guattari; e visus, de Massimo Canevacci.

Percepção da mestranda

A banca trouxe contribuições ao trabalho; e, a partir da avaliação dos professores e da qualificação alcançada, Fabricia comenta o processo. “O exame de qualificação é uma oportunidade de amadurecer a pesquisa, de ouvir os professores-avaliadores que compõem a banca, de receber as contribuições deles e de precisar melhor o trabalho em desenvolvimento para alcançar os objetivos e responder as questões-problema.”

O processo é importante para socializar a pesquisa, de certo modo, e trazer olhares que a complementem e auxiliem. Nesse sentido, a mestranda compartilha a sua percepção após a fala dos avaliadores. “A Jiani e o João indicaram possibilidades de como posso prosseguir com a minha pesquisa. Eles perceberam bem os desafios que eu tenho pela frente e me instigaram a enfrentá-los. Então, a experiência de qualificar foi muito positiva. Agora, preciso pensar sobre tudo o que ouvi e dar continuidade ao meu trabalho com a minha orientadora, Sonia.”

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Texto e fotos: Vanessa Furtado.

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