Gustavo Fischer fala sobre rituais de despedida ao UOL

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Imagem: Issei Kato/Reuters

Uma cabine telefônica sem conexão, instalada fora da residência do sobrevivente do Tsunami de Fukushima, Itaru Sasaki, em 2011, motivou a entrevista do portal UOL com o professor da Unisinos, Gustavo Fischer, para falar sobre ritos de despedida.

A cabine nomeada Telefone do Vento, ajudou os moradores de Otsuchi, um vilarejo do Japão, a passarem pelo luto. Por mais de dez anos, ela foi o refúgio para que conversas e desabafos entre os que ficaram e os que se foram, pudessem acontecer com privacidade. Agora, a cabine passou a ser usada para manter o diálogo com as vítimas de Covid-19.

Fischer, professor do programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos), destaca a recorrência do ser humano em estabelecer contato com os entes falecidos.

“O rompimento súbito talvez crie ainda mais a necessidade de tentar seguir em contato, já que não houve um rito de despedida e a conversa foi interrompida. Isso parece fazer ainda mais sentido se pensarmos o telefone como um objeto tecnocultural. Seu uso simples e rotineiro produz sentidos de cotidianidade, conversação, intimidade”, analisa.

A cabine telefônica ganha ares de templo, capaz de também manter a tradição oriental de valorização do silêncio. “Com as perdas na pandemia, os ritos de despedida foram encurtados, simplificados [no Brasil]. É possível que isso gere respostas na arte e na cultura análogas ao que vemos no Japão, ainda que, cotidianamente, encontram-se postagens nas redes sociais nas quais parentes e amigos falam ‘diretamente’ com a pessoa falecida em seu perfil”, diz.

Leia a matéria original.

Texto: Priscila Boeira

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