LABMEM – Laboratório de Memória nas/das Mídias Online

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O LabMem – Laboratório de Memória nas/das Mídias Online é coordenado pelo Prof. Dr. Gustavo Daudt Fischer, trabalhando, dentro do âmbito da arqueologia das mídias, como o nome sugere, com memória. A reflexão que conduz o trabalho do laboratório é muito interessante – a internet é tida por um espaço de inovação e crescimento contínuos, protagonista e vitrine do “novo” e que, com menos holofotes, mas igual intensidade, descontinua um grande número de produções, sendo necessário refletir e tencionar como a mídia online preserva a si mesma e a outros meios e formatos de mídia?

Para ajudar a responder a pergunta, utilizou-se como pesquisa de apoio o estudo “Memória nas interfaces do audiovisual às audiovisualidades soterradas” (http://memorianasinterfaces.com.br/), também do Prof. Gustavo Fischer. Nela foi realizado um movimento cartográfico por objetos que se propunham enquanto iniciativas de memória, seja em um sentido mais arquivístico, seja em um sentido mais experimental. Esse movimento autentica e convoca parte dos fundamentos teóricos do LabMem, sobretudo o frenesi por arquivamento (MANOVICH, 2000), que se manifesta paralelamente a dificuldade do acesso ao passado recente (BEIGELMANN, 2014).

O LabMem não é um espaço de observação e especulação. A proposta laboratorial confere ares de experimentação na manipulação dos objetos. Não é um repositório, não é um museu, não é um banco de dados sobre banco de dados, é o tensionamento das análises atravessadas pela experimentação de formatos, linguagens e estéticas. Esse movimento faz superar o mero arquivamento, gerando coleções, necessárias aos estudos sobre memória, uma vez que esta está em constante desaparecimento (CHUN, 2011). Ao manipular esse material, é possível fazer emergir das experiências de armazenamento, construtos de memória.

Considerando olhares e pesquisas de iniciativas semelhantes, o LabMem lança seus estudos, sobretudo, ao Rio Grande do Sul, propondo e desenvolvendo processos de escavação na medida em que são sendo acionados e demandados pelos rumos de seus objetos (propagandas, produções audiovisuais e programas de TV) e da pesquisa, manipulando e prototipando experimentos a partir desse material. O grupo responsável por essa tarefa é composto por Gustavo Fischer, Suzana Kilpp, Sonia Montaño, Tiago Lopes, João Ricardo Bittencourt, Rodrigo Blum Westphalen, Aline Corso, Lucas Ness, Camila de Ávila, Leonardo Andrada de Mello, Julia Pinto de Souza, Jader Moraes e Peter Krapp.

Por ser um movimento relevante nesse projeto, buscamos ouvir do professor Gustavo Fischer um mais sobre o processo de “laboratorizar”:

“A gente parte da premissa de que o passado não está pronto. Laboratorizar essa dimensão dos materiais coletados significa, de um lado, buscar onde estão – compreendê-los, entendê-los, classificá-los e pensar sobre eles – e, de outro lado, olhar para os construtos de ‘memória online’. Quando a gente traz esse material ‘de volta’, de alguma forma, a gente o está atualizando, modificando, colocando isso sob outras circunstâncias.” 

As atividades iniciaram em 2020 e conta com um alto número de interações em seu perfil no Instagram (@lab.mem), onde as postagens tencionam os conceitos que fundamentam o laboratório por intermédio de exemplos diversos – diga-se, surpreendentemente diversos, dos famosos “Doodles” à prática de compartilhamento de cartas em períodos pré-cristandade – que evidenciam esteticamente o caráter de experimentação proposto.

A proposta é muito rica e tem um potencial muito grande, por isso, acompanhe e se permita aceitar a provocação do grupo “descubra o velho no novo e o novo no velho”.

Texto: Lucas Mello Ness

Revisão: Camila de Ávila

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