Liderados por universidades brasileiras, pesquisadores de Internet se reúnem em simpósio internacional

postado em: Atualizações | 0

Pesquisas relacionadas à cultura digital são cada vez mais frequentes. Desde as monografias de final de curso em diversas áreas como a comunicação, a saúde, a informática, a educação, passando pelas ciências Sociais, a Antropologia e tantas outras à dissertações de mestrado e teses de doutorado das várias áreas de conhecimento se interessam pelo tema. Desde assuntos como o Facebook e suas práticas regionais e globais, ao feminismo na internet, passando pelos estudos de memes, fake News, jogos digitais, o vídeo em rede ou a tendência ao armazenar tudo e os modos como o algoritmo organiza as nossas vidas, ainda a forma como a religião é reinventada em determinados sites ou os movimentos sociais e ciberativismo. A lista seria enorme. A cultura digital é um objeto abordado numa multiplicidade de direções, abordagens, autores e interesses.

A Associação de Pesquisadores de Internet (AoIR), uma associação fundada em 1999 que reúne investigadores de áreas multidisciplinares está promovendo seu segundo Simpósio Internacional com o tema Transformações Digitais: Polarização, Manipulação de Mídia e Resistência. Esta segunda edição do simpósio que, aliás, integra junto com a Conferência da AoIR, os dois eventos anuais da associação, terá o Brasil como país sede.

Fonte: Reprodução.

Adriana Amaral, professora e pesquisadora no PPG de Comunicação da Unisinos faz parte da equipe organizadora. Ela junto com Raquel Recuero (PPGCOM/UFRGS e PPGL/UFPEL), Suely Fragoso (PPGCOM/UFRGS) e Ronaldo Henn (PPGCC/UNISINOS) também da equipe, batalharam para que o evento fosse realizado no Brasil em 2020. Amaral explica que o Simpósio é sempre um evento menor e temático em que o país anfitrião propõe um tema. O primeiro foi na Itália, em 2019. As expectativas da Associação são grandes em relação ao fato de dar ao evento esse solo brasileiro e latino-americano principalmente porque as questões sociais e políticas brasileiras demonstram a urgência do tema escolhido que atravessa o cenário global.

“A relação com a associação vem de longa data”, explica Amaral. A pesquisadora Suely Fragoso nos anos 2002 em diante, então professora da Unisinos, foi da diretoria. A própria Adriana e a Professora Raquel Recuero, assim como outros brasileiros como Alex Primo (UFRGS), Patrícia Rossini (pesquisadora brasileira que atua na Universidade de Liverpool, Reino Unido), Simone Pereira de Sa (UFRJ) e tantos outros, vem fazendo com que os estudos sobre internet e cultura digital tenham um ganho em quantidade e qualidade nos últimos anos”, enfatiza.

“Os estudos da internet e da cultura digital no Brasil estão cada vez mais fortes. Por um lado, pelos usos e quantidades de usuários apesar das desigualdades sociais, mas também por que temos muitos pesquisadores que se dedicam com publicações nacionais e internacionais. Jean Burguess, pesquisadora australiana que foi da diretoria da AoIR comentou comigo, como a experiência de ter orientando brasileiros lhe fez perceber uma certa criatividade para pensar que teríamos no Brasil. Ela comentava que a gente lê muito, se apropria rapidamente e de forma muito criativa dessas leituras e pensa a cultura digital com conceitos e métodos de análise próprios”, relembra a professora. Destacando a riqueza da troca, Amaral sinaliza a importância da participação em eventos internacionais que abrem as portas para novos projetos nos que a Unisinos, na área da Comunicação vem participando com certo protagonismo.

Fonte: Reprodução.

As palestrantes do evento são mulheres, três brasileiras e uma finlandesa. Susanna Paasonen, da Universidade de Turku, Finlândia, é referência em questões como feminismo online, pornografia feminista online audiovisual, estudos feministas. Simone Pereira de Sá, é uma das fundadoras dos estudos da cultura digital no Brasil. Patrícia Rossini, pesquisa desinformação e é referência na área de comunicação e política e Fernanda Carrera (UFRJ), pesquisadora mais recente, tem se destacado muito nas questões de racismo, algorítmico, e questões transversais que devem ser pensadas entre os usuários como gênero raça, classe social, tão marcantes nas diferenças entre os usuários brasileiros.

Amaral destaca também como as pesquisas em cultura digital vem crescendo em todas as linhas de pesquisa do PPGCOM da Unisinos. “Trata-se de uma área que não tem dono, nem linha, que reúne temas que urgem de serem estudados para compreender melhor a cultura em que viemos”.


Com a pandemia, o evento será realizado online e todos os vídeos dos trabalhos estão disponibilizados no site do Simpósio. Os participantes podem assistir, deixar comentários, ter acesso às sessões de debates síncrono que estão na programação.

Ainda é possível se inscrever para participar do evento como ouvinte, até hoje (2/9). Automaticamente, o participante inscrito poderá participar do congresso da AoIR Internacional, que ocorrerá em Outubro.

Mais informações sobre o evento: https://eventos.galoa.com.br/realm/aoir-2nd
Programação completa: https://aoirflashpoint20.home.blog/program/
Vídeos e papers participantes: https://proceedings.science/aoir-2nd/videos
Inscrições: até 2 de setembro de 2020


Texto: Sonia Montaño e Camila de Ávila

Deixe uma resposta