Por onde andam os egressos do TCAv? Rafael Garcez Lima

Integrando a série “Por onde andam os egressos do TCAv”, hoje trazemos Rafael Garcez Lima, bacharel em Realização Audiovisual (UNISINOS, 2012), pós-graduado em Televisão e Convergência Digital (UNISINOS, 2017) e mestre em Ciências da Comunicação no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da UNISINOS, na linha de pesquisa Mídias e Processos Audiovisuais, entre os anos de 2017 e 2019, sob a orientação da Dra. Sonia Estela Montaño La Cruz. Atualmente, Rafael cursa uma segunda especialização em Gestão e Docência no Ensino Superior, pela Ulbra.

Sobre a pesquisa

Desde seu Trabalho de Conclusão de Curso, ainda na graduação, Rafael tem se debruçado sobre as questões da produção cinematográfica do gênero terror, dando continuidade aos seus estudos sobre o terror ao ingressar no mestrado. Sua dissertação, O terror no cinema brasileiro contemporâneo: uma abordagem monadológica de Trabalhar Cansa e Mangue Negro, lança um olhar sobre a construção do medo dentro desse gênero cinematográfico a partir da análise de dois filmes que, ainda que dentro do mesmo gênero, se diferenciam por um apresentar imagens explícitas de violência – Mangue Negro (2008) – enquanto o outro – Trabalhar Cansa (2011) – não as revela, porém constrói narrativas e sentidos da violência de outras formas.

Rafael Garcez Lima durante a defesa de sua dissertação, em 2019. Fonte: Arquivo Pessoal

Quando perguntado durante a entrevista sobre como enxergava a pesquisa, Rafael afirmou que sua pesquisa contribuiu para um movimento:

“Felizmente parece cada vez maior na academia, de olhar para o gênero cinematográfico do terror produzido no Brasil (especialmente para a produção recente), como uma atualização do sentido terror, e não meramente como algo fechado em si mesmo. Eu tenho acompanhado com interesse nos últimos dois anos a publicação de alguns artigos sobre o tema, que justamente propõem a reflexão dessas construções de sentidos de terror na nossa filmografia, dentro e fora do gênero terror. Essas reflexões são extremamente importantes, pois os construtos de terror atualizados audiovisualmente nesses filmes são atualizações das construções de terror presentes em nossa própria cultura, refletindo os medos e ansiedades presentes na forma como agimos e nos relacionamos como sociedade. Posso me orgulhar de dizer que minha pesquisa faz parte deste processo; cujo impacto é nos fazer compreender os medos presentes em nossa cultura que se atualizam em construções de terror dentro e fora dos filmes, e a partir daí, refletir sobre o que esses terrores dizem sobre a nossa cultura e sociedade”.

Sobre seu período no TCav, Rafael afirma que foi ali que ele se tornou, de fato, um pesquisador. 

“Além disso, aprendemos a olhar além de nossas próprias bolhas, pois muitas vezes há um caminho interessante para a nossa pesquisa em um trabalho acadêmico não diretamente relacionado. Essas lógicas de trabalho tão próprias da pesquisa foram absorvidas por mim durante os mais de dois anos de mestrado, foram adotados em minhas outras atividades me tornando um profissional, e arrisco-me a dizer, uma pessoa melhor.”

Atuação no mercado de trabalho

Atualmente, Rafael tem trabalho como professor. Ele dá cursos para alunos do ensino fundamental e médio acerca de conceitos básicos de produção audiovisual. Os cursos também são destinados a professores sobre os recursos pedagógicos desta atividade. “Tenho atuado basicamente na área da educação desde que saí do mestrado, embora não a acadêmica. Planejo voltar para a academia em algum momento, com certeza.”

Rafael Garcez Lima ministrando o curso Cinema na Escola. Fonte: Arquivo Pessoal

Ao relacionar a pesquisa com a atuação profissional, Rafael argumenta que que o trabalho de pesquisa o ajudou a desconstruir o modo como ele enxergava os problemas que surgiam na profissão: 

“Nós tendemos a olhar para os problemas tendo por base apenas as diferenças de grau, como mais e menos; melhor e pior, e não as diferenças de natureza. Também tendemos a encarar um problema já com uma solução pronta em mente, e ambas essas atitudes são contraproducentes. O trabalho de pesquisa me ajudou a desconstruir estes processos; a prestar mais atenção nas diferenças de natureza, e ter a mente aberta para soluções de problemas que podem me surpreender; o que foi vital para o meu trabalho tanto como professor quanto como realizador audiovisual.”

Texto: Andressa Machado

Deixe uma resposta