O sucesso das obras de arte em NFT

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Uma nova forma de registrar e comercializar itens físicos e digitais tem chamado a atenção nos últimos meses. O NFT (sigla para “Non-Fungible Token”, ou “Token não-fungível”, em tradução livre) é uma espécie de certificado digital de propriedade intelectual que garante autenticidade e exclusividade a bens exclusivos, como por exemplo obras de arte, objetos raros e exemplares únicos, e que podem ser adquiridos através de criptomoedas. Os tokens não-fungíveis são um blockchain, ou seja, uma ferramenta de arquivo organizada em blocos de informação interligados, formando uma grande cadeia de dados infindável e universal.

As obras de arte em NFT vêm com a garantia de serem autênticas, impossibilitando que hajam outras cópias além da que o comprador possui. Em diversas dessas criações, também são disponibilizadas variações de tipos de mídia dessas obras digitais, como por exemplo: vídeos, fotos, gifs, áudios, etc. Essas obras compartilham da mesma tecnologia de blockchain das criptomoedas, ambos recursos podem ser considerados frutos do desenvolvimento tecnológico acelerado e da necessidade mercadológica de que nada deve se perder.

O registro e a venda em NFT vêm ganhando força em diferentes mercados, principalmente no campo das artes. O artista norte-americano Beeple, por exemplo, leiloou sua obra “Everydays: the first 5000 days” – uma colagem de fotos tiradas, todos os dias, desde 1º de maio de 2007 até 7 de janeiro de 2021 – por 69 milhões de dólares, ou 33 mil ETH (ether, relativo à criptomoeda Ethereum), tornando-se assim o NFT 100% digital mais caro da história até agora.

“Everyday: the first 5000 days”, de Beeple.

Outro exemplo de sucesso foi a venda de uma transmissão ao vivo da queima da obra “Morons”, do artista inglês Banksy, que rendeu ao grupo de investidores de criptoativos Injective Protocol, organizadores da ação, um valor quatro vezes maior que o da arte original. Enquanto a pintura, em sua última avaliação, valia 95 mil dólares, o vídeo da obra digitalizada sendo completamente queimada foi tokenizado e vendido por mais de US$382 mil.

Na XVIII Semana da Imagem, o Prof. Dr. João Ladeira, em palestra intitulada “Blockchains e criptomoedas: ruído onipresente e arquivo infindável”, assinalou que não consegue “enxergar, de uma certa maneira, qual é a outra pretensão que exista dentro de uma ferramenta como essa, a não ser realizar esse sonho, essa paranóia obsessiva de tudo lembrar, de tudo reter, de tudo ter.” Pode-se ver claramente essa visão ao analisarmos a obra de Beeple, que é composta da necessidade de preservar todos os registros feitos pelo artista ao longo de 14 anos.

Para saber mais sobre a palestra de Ladeira, leia a cobertura do evento disponível no site ou assista na íntegra.

Texto por Ananda Zambi e Clara Moraes

Referências:

https://www.techtudo.com.br/noticias/2021/03/o-que-e-nft-entenda-como-funciona-a-tecnologia-do-token.ghtml

https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/03/16/nft-como-funciona-o-registro-de-colecoes-digitais-que-ja-valem-milhoes-de-dolares.ghtml

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